A primeira impressão que Kelly teve de Cecília já havia sido péssima.
Mas agora, vendo a garota pessoalmente, esse nojo atingiu o limite.
Uma pirralha que não devia ter nem vinte anos teve a audácia de aparecer e questionar suas habilidades médicas?
Kelly soltou uma risada fria.
— Você tem ideia de quem é a garota deitada ali dentro? Já ouviu falar da família Guimarães de Cidade Capital? Se acontecer alguma coisa com ela... não só você, mas a sua família inteira e aquela médica idiota que seguiu suas ordens vão para o túmulo junto com ela!
Cecília levantou levemente o olhar. Seus olhos gélidos pareceram se transformar em adagas de gelo, perfurando Kelly Ribeiro sem piedade.
Seus lábios vermelhos se moveram devagar, cuspindo apenas uma palavra:
— Incompetente.
Os olhos de Kelly se arregalaram e sua voz subiu uma oitava.
— O que você disse?!
— O protocolo de emergência que você queria usar agora há pouco é a prova viva de que você é uma incompetente. — A voz de Cecília era de amargar. — Lábios arroxeados e unhas acinzentadas são sinais claros de hipóxia. Você não sabe avaliar a condição real da paciente e só segue cegamente o que acha que é o "padrão ouro". Ao causar uma sobreposição de choque anafilático com choque hemorrágico, você quase a matou. Seu mentor devia ter vergonha de ter ensinado alguém como você.
Ela ergueu o queixo, com um brilho cortante no olhar.
— Se não fosse por mim, você já estaria atrás das grades. Você deveria estar de joelhos me agradecendo. Entendeu?
O rosto de Kelly perdeu toda a cor em um segundo, apenas para ficar vermelho de vergonha e fúria ao ter seu erro técnico exposto de forma tão brutal e precisa.
— Você... você só deu sorte! A Srta. Vânia aguentou por pura força de vontade!
Cecília não estava a fim de perder tempo com aquele tipo de lixo. Ela desviou o olhar e chamou a jovem médica que estava pálida ali perto.
— Dra. Chloe?

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