Cecília mantinha a cabeça de Kelly prensada contra a parede em uma posição extremamente humilhante.
O rosto da médica roçava com força nos azulejos, deformado pela pressão brutal.
Cecília se inclinou, aproximando os lábios do ouvido de Kelly. Sua voz soou baixa, mas com um frio de gelar a espinha:
— Se der mais um pio, eu garanto que você nunca mais vai conseguir segurar um bisturi na vida.
Ela apertou os dedos, puxando o couro cabeludo de Kelly com força, e sorriu de lado.
— Entendeu?
Um terror absoluto engoliu Kelly Ribeiro. Ela choramingava de dor, com o corpo torcido, apavorada e soltando xingamentos abafados.
Os outros médicos ao redor ficaram paralisados. Ninguém esperava que uma garota tão nova e bonita fosse capaz de espancar um deles ali mesmo, no meio do hospital.
Quando finalmente voltaram a si e tentaram intervir...
— Cecília, solta ela agora!
Um grito furioso cortou o ar.
Um homem caminhava a passos largos na direção delas, usando um jaleco impecavelmente branco.
Ele era alto, de postura elegante e rosto atraente. Usava óculos de armação dourada, e por trás das lentes, seus olhos escuros ferviam de raiva.
Ele era o mais jovem e brilhante diretor de cirurgia do Hospital de Cidade Capital, o gênio da família Mendes: Renato Mendes.
— Cecília, você ficou louca? Isso aqui é um hospital, não é o quintal da sua casa para você fazer barraco! — A voz de Renato era puro gelo. Seu rosto escureceu ao ver sua assistente, sempre tão orgulhosa, sendo prensada na parede por Cecília, chorando aos prantos em um estado patético.
Ele franziu a testa e estendeu a mão, pronto para arrancar Kelly das garras de Cecília.
Cecília levantou os olhos lentamente e o encarou de lado.
Aquele olhar... era morto e vazio.
A mão de Renato congelou no ar, e suas pupilas tremeram.
A garota à sua frente não tinha nada a ver com a imagem que ele guardava dela. Ela não estava mais tentando agradá-lo, nem agia com aquela subserviência medrosa de sempre.
O jeito que ela olhava para ele era tão frio quanto se olhasse para um completo desconhecido.
Ainda era a mesma Cecília que costumava chamá-lo timidamente de "Renato"?
Bang!
Outro baque abafado.
Ignorando completamente a presença de Renato Mendes, Cecília puxou o cabelo de Kelly e esmagou a cabeça dela contra a parede mais uma vez.
Em seguida, soltou a mão.
Kelly desabou completamente. Escorregou pela parede como uma poça de lama e encolheu-se no chão, chorando de dor.
— Dr. Mendes... Dr. Mendes... — ela murmurava, arrasada.

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