Cecília pegou o distintivo. Seus dedos finos deslizaram sobre o metal frio, e seu olhar escureceu de leve.
— Você não tá nem um pingo surpresa?! — Isaque encarava o rosto dela, inconformado por não ver o menor traço de choque.
Era como se...
Ela já soubesse de tudo.
— Ele devia ter certeza de que eu morreria hoje. — Cecília guardou o distintivo na palma da mão, arqueando a sobrancelha com indiferença. — A vontade que ele tinha de me matar era óbvia. Aquele tipo de intenção assassina só existe em profissionais.
O rosto de Isaque murchou na hora:
— Quer dizer que eu cheguei atrasado de novo?!
Uma coisa que ela já tinha sacado faz tempo, e ele só descobriu agora!
Cecília enfiou o distintivo no bolso:
— Não chegou atrasado não. Sua agilidade foi ótima.
Recebendo o elogio, Isaque instantaneamente estufou o peito, erguendo o queixo com o orgulho nas alturas.
— Limpe todos os rastros. Estamos em União de Serena do Sul, não chame atenção desnecessária pra cá. — Cecília conferiu a hora no celular. — Eu preciso ir pra casa.
Isaque assentiu várias vezes:
— Pode deixar! Comigo no comando, cê sabe que não tem erro.
Cecília enfiou as mãos nos bolsos e caminhou na direção de Vânia.
Foi quando ouviu, de relance, a garota cochichando:
— Irmão, ela é incrível demais. Se você não se mexer logo, eu vou acabar ficando sem cunhada.
Os longos cílios de Cecília tremularam levemente, e seu olhar recaiu no rosto de Sebastião.
Naquele exato momento, o homem ergueu os olhos para ela.
Quando os olhares se cruzaram, um sorriso deslumbrante e sedutor floresceu naqueles traços aristocráticos.
Uma presença hipnótica, parecia até um espírito de raposa no corpo de um homem.
O coração de Cecília deu uma pequena falhada. Como se uma pena tivesse feito cócegas lá dentro.
— Pelo visto, a Ceci esbarrou num probleminha.
Ele disse, movendo as pernas longas e caminhando na direção dela.
A postura impecável, os passos lentos e predatórios.

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