A empregada encarou as porcelanas estilhaçadas no chão, com o rosto pálido de pavor.
— Você é cega, por acaso?! Tá correndo pra morrer? — Cíntia explodiu.
Sem ter onde descontar sua frustração, ela usou a garota como saco de pancadas.
— Um lixo como você acha que é digna de trabalhar para a família Guimarães?!
— Eu... E-eu... — A empregada tremia dos pés à cabeça.
Ficava claro que fora Cíntia quem a atropelara, mas a pobre moça não parava de fazer reverências e pedir desculpas.
— Eu, eu, eu o quê?! — Cíntia ergueu a mão, pronta para desferir um tapa no rosto da garota.
— Srta. Cíntia.
A voz rígida do tio Israel soou repentinamente.
Ao ver a bagunça no chão e a empregada em choque, ele franziu o cenho.
— O que está acontecendo aqui?
O tio Israel podia ser apenas o mordomo.
Mas ele havia servido o Sr. Pedro por décadas.
Muitas vezes, a simples presença dele no ambiente representava a vontade do próprio patriarca.
Até mesmo a mimada Cíntia tinha que tratá-lo com algum respeito.
— Tio Israel, foi ela que não olhou por onde andava... e me bateu. Meu ombro ainda está doendo muito...
O tio Israel ignorou as queixas dela.
Ele correu os olhos severos pelo local e ordenou à empregada:
— Limpe isso imediatamente e vá buscar um novo conjunto de chá. Rápido! O carro do jovem mestre chegará a qualquer minuto.
A empregada assentiu freneticamente com a cabeça.
Só então o tio Israel virou-se para encarar Cíntia e Vanessa, com uma expressão gélida e impenetrável.
— Srta. Cíntia, Srta. Vanessa. O que as senhoritas ainda fazem aqui?
Era uma ordem de expulsão nua e crua, sem nenhum traço de cortesia.
Vanessa ergueu a garrafa térmica, estampando o mais dócil e obediente de seus sorrisos.
— Tio Israel, por favor, não fique bravo. A Cíntia só estava nervosa...
— Esta sopa foi feita com a raríssima Vitaleza. Meu medo é que ela perca o frescor e os efeitos medicinais diminuam.
— O senhor poderia fazer o favor de ver se o vovô Pedro já acordou?
O tio Israel lançou um olhar rápido à garrafa térmica. Sem alterar sua frieza, estendeu a mão.

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