Crack!
O copo de vidro espatifou-se no chão, espirrando bebida por todo lado.
Com o olhar gélido e uma expressão tenebrosa, Cesar disparou:
— Já chega. Parem de falar essas merdas.
Ele próprio não sabia por quê.
Normalmente, quando Cecília estava presente, ele não sentia absolutamente nada, por mais que seus amigos a humilhassem.
Mas hoje, ao ouvi-los chamando-a de capacho repetidas vezes, uma irritação irracional brotou em seu peito.
Deixa pra lá. Considerando o quanto Cecília o amava...
Desde que ela cruzasse a porta do 6103 imediatamente, ele faria o enorme sacrifício de protegê-la desta vez.
Cesar pegou mais uma dose de álcool puro da mesa e bebeu de uma vez. O pomo de adão se moveu. O contorno duro do seu rosto era iluminado de maneira quase irreal pelas luzes neon do camarote.
— Meu Cesar...
Liliane Mendes, sentada ao lado dele, deu um pulo de susto com a quebra do vidro.
Como uma florzinha frágil assustada, ela chamou o nome dele com a voz trêmula.
Minutos antes, assim que ela tinha entrado no camarote chorando rios de lágrimas acompanhada de Bento, Cesar tinha ficado com o coração apertado. Ele a abraçou e perguntou o que havia acontecido.
Antes de entrar no camarote...
Ela havia passado no banheiro para retocar a maquiagem estrategicamente. Fez questão de preservar os hematomas e os cabelos bagunçados de quando Cecília a arrastou no chão, sem perder, no entanto, seu charme delicado e lindo.
Aqueles machucados causados por Cecília só a deixavam com um ar ainda mais indefeso e lamentável.
Com o olhar de um coelhinho acuado, ela encarava Cesar.
Era o golpe perfeito para despertar o instinto protetor de qualquer homem.
Ela soluçou baixinho.


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