Francisco olhou para o rosto limpo e sem maquiagem da garota. As olheiras de exaustão eram evidentes.
Ele franziu a testa, mas controlou bem o seu tom de voz:
— Ceci, a que horas você volta?
Cecília olhou a hora no celular.
— Não tenho certeza. Não precisam me esperar. Eu ligo quando terminar.
Ela acenou educadamente, deu meia-volta e saiu em passos rápidos.
Observando a figura apressada da filha desaparecer, Fernanda Almeida soltou um longo suspiro.
— Essa menina... por que ela está sempre tão ocupada?
Vanessa Rodrigues revirou os olhos disfarçadamente.
Ocupada com o quê?
Só podia estar fingindo.
Até parece que uma caipira do interior, que nem terminou o ensino médio, seria mais ocupada que o pai ou o irmão mais velho? Mais ocupada do que ela, que passava os dias estudando dados, escrevendo teses e indo atrás do professor Erick Serra?
Todos conseguiam arranjar tempo na agenda por ela.
Mas a outra ficava desfilando pela casa como se fosse uma mulher de negócios importante.
Ela apertou os dedos e soltou um suspiro, fingindo tristeza.
— A minha irmã trabalha tanto, né? Nem tempo de tomar café da manhã ela tem.
No entanto, ninguém deu corda para a sua encenação.
Fernanda Almeida continuava olhando para a porta vazia, com os olhos vermelhos e cheios de pena.
— As empregadas me disseram que a luz do quarto da Ceci ficou acesa a noite inteira. Aposto que ela não dormiu nada. E agora sai cedo para resolver coisas... como o corpo dela vai aguentar?
— Mãe, não se preocupe tanto. — Henrique Rodrigues ajeitou os óculos de aro dourado no nariz. — A minha irmãzinha... não é uma garota comum.
Todos viraram o rosto para olhá-lo, meio confusos.


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