Assim que passou pelos portões da mansão, ela viu aquele Maybach inconfundível estacionado ali.
O homem alto e elegante estava encostado na porta do veículo.
A postura imponente e o rosto frio, de uma beleza absurda.
Com um cigarro apagado entre os lábios, ele exalava uma aura preguiçosa e indiferente.
Ali, sob a luz dourada da manhã, ele realmente parecia um deus inalcançável.
Alguém capaz de destruir a razão de qualquer um.
Ao ouvir passos, ele levantou os olhos lentamente.
Seus olhos negros como obsidiana cintilaram à luz do sol, profundos e envolventes. Esse brilho quebrou um pouco da sua frieza habitual, acrescentando um toque perigoso ao seu rosto perfeito.
Ao ver Cecília, os lábios finos dele se curvaram em um sorriso.
— Bom dia, Srta. Rodrigues.
Ele arrastou a pronúncia de "Srta. Rodrigues", fazendo a frase soar inexplicavelmente íntima e sedutora.
Cecília ergueu as sobrancelhas.
— O que você está fazendo aqui?
— Estava de passagem. Posso te dar uma carona. — Sebastião abriu a porta do passageiro. — Entre, Srta. Rodrigues.
Cecília apertou os olhos, varrendo o ambiente ao redor. Não havia sinal do motorista que sua mãe havia designado.
Ela checou a hora no celular, não fez cerimônia e entrou direto no carro.
Acomodou-se no banco do carona e olhou para ele.
— Instituto Lumina, por favor. Obrigada.
O carro acelerou rapidamente, deixando o Residencial Prime Vale para trás e seguindo rumo ao destino.
Sebastião tamborilava os dedos longos no volante, observando Cecília pelo canto do olho.
A luz da manhã delineava o perfil impecável da garota. Seus olhos limpos e cativantes carregavam um cansaço sutil.
Ele notou a lancheira térmica no colo dela. A voz dele saiu rouca:
— Ainda não tomou café?
Cecília murmurou um "uhum" indiferente.
— É melhor comer enquanto está quente. — ele disse, com um meio sorriso. — Duvido que você tenha tempo para comer depois que o trabalho começar.
Cecília virou o rosto para encará-lo.
Desde o início, ele não havia feito nenhuma pergunta intrusiva.
Mas ele agia como se já soubesse muito mais do que dizia.
Ela não se fez de rogada e agradeceu de novo:
— Obrigada.
Ao abrir a lancheira, o cheiro invadiu o carro. Dentro, havia delicadas empadas de camarão e coxinhas perfeitas, acompanhadas de um copo de café quente.
Ela pegou a comida e começou a comer rapidamente.
Estava claro que ela estava faminta.
Apesar de comer rápido, seus movimentos mantinham uma elegância natural. Ela mastigava focada, com as bochechas levemente infladas.
Naquele momento, ela perdeu toda a aura fria e intocável, revelando um lado adorável e relaxado.
Um traço de satisfação brilhou nos olhos dela.
O sorriso de Sebastião se aprofundou.


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