— E o que você estava fazendo naquela hora?
Agatha parou por um instante ao enxugar as lágrimas.
Alguns segundos depois, ergueu a cabeça e encarou Eduardo.
Os olhos dele, escuros e frios, pareciam não ter fundo. O olhar fez um arrepio percorrer as costas dela.
— O Diego não é uma criança levada. — Disse Eduardo, com a voz gelada. — Você não deve ter esquecido o que me prometeu naquela época.
A expressão de Agatha mudou. Ela franziu a testa e respondeu com urgência:
— Fica tranquilo, eu nunca esqueci o que te prometi. Me desculpa... o Diego se machucou hoje, e a culpa foi minha mesmo. Na hora, a Valeria estava na cozinha preparando a comida, e eu estava no quintal com ele, dando um lanche. Acabei atendendo uma ligação da empresa, me distraí na conversa e nem vi quando ele pegou a faca de frutas que estava na mesa. Eu juro que não foi de propósito.
Enquanto falava, abaixou a cabeça, cobriu o rosto e começou a chorar, tomada pela culpa.
Eduardo observava em silêncio. No olhar profundamente escuro, não havia qualquer reação.
— Já que você está tão ocupada com a empresa, vou pedir para o Benjamin contratar outra babá.
Agatha levantou a cabeça. Os olhos ainda marejados agora estavam cheios de choque.
— Eu sei que errei por não cuidar direito dele, mas o Diego me chama de mãe há cinco anos... Eu sempre tratei ele como um filho de verdade. Por favor, não separa a gente.
Eduardo manteve a expressão inalterada:
— O Diego já está maior. Precisa de uma babá mais profissional. Eu vi tudo o que você fez por ele nesses últimos cinco anos. Fica tranquila, mesmo com uma babá, para ele você continua sendo a mãe.
— Mas...
— Eu já decidi. — A voz dele saiu fria e firme. — Se a empresa está ocupando seu tempo, então volte para lá. Nos próximos dias, eu mesmo vou cuidar do Diego.
Depois disso, Eduardo se virou com o menino nos braços e saiu do hospital sem olhar para trás.
Agatha ficou parada no mesmo lugar, observando a silhueta dele se afastar cada vez mais.
As mãos, caídas ao lado do corpo, se fecharam com força.
Ela levantou uma delas e enxugou as lágrimas. Nos olhos, só restava ressentimento.
Ela tinha calculado cada passo, usado todos os meios possíveis, reprimido o próprio temperamento e, por cinco anos, interpretado com paciência o papel de mulher doce e dedicada.
Agora, no momento mais crucial, não podia permitir nenhum erro.
Já que Eduardo dava tanta importância ao Diego, então ela faria Daniela odiar o menino até o fundo da alma.
Eduardo levou Diego de volta para a Villa do Sol.


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