— Certo. — Respondeu Eduardo com indiferença. — Arrume um quarto para criança. O Diego vai ficar aqui por esses dias.
A expressão de Viviane ficou um pouco constrangida.
— Há alguns meses, a Sra. Daniela pediu para esvaziar o quarto infantil. Agora ele está vazio... não tem nem cama.
Ao ouvir isso, Eduardo se surpreendeu levemente.
Só então se lembrou de que aquilo realmente tinha acontecido.
E foi nesse momento que percebeu, ainda que de forma vaga, o quanto Daniela tinha se decidido a tentar ter outro filho.
Aquele quarto tinha sido montado por ela mesma, anos atrás.
Tudo ali havia sido preparado para os gêmeos.
Eduardo não disse mais nada.
Com Diego nos braços, seguiu em direção ao andar de cima.
O quarto infantil ficava ao lado da suíte principal, no segundo andar.
Depois da morte dos gêmeos, Daniela costumava passar muito tempo ali, sozinha.
Durante aqueles cinco anos, foi naquele quarto que ela mais permaneceu.
Eduardo parou diante da porta. Com uma das mãos livres, segurou a maçaneta e tentou girar.
Não abriu.
Estava trancado.
Ele franziu levemente a testa. Naquele instante, um peso inexplicável surgiu dentro dele.
Nesse momento, Diego, apoiado em seu ombro, se mexeu.
Eduardo voltou a si e passou a mão com suavidade nas costas do menino.
— Acordou?
Diego levantou a cabeça.
Ainda meio sonolento, tentou esfregar os olhos, mas ao erguer a mão e ver o curativo, parou por um instante.
Logo em seguida, fez um biquinho, e os olhos voltaram a ficar vermelhos.
— Papai... minha mão dói muito.
Eduardo o consolou com paciência:
— Você é um menino forte. Aguenta firme. Em poucos dias melhora.
Diego assentiu:
— Não briga com a mamãe, tá? Ela não queria que eu me machucasse.
Ao ouvir isso, Eduardo pressionou os lábios.
Olhando para o rostinho dele, baixou um pouco a voz:
— Então me conta a verdade... como você se machucou?
— Eu vi num vídeo uma criança descascando maçã com faca, muito bem... aí eu quis aprender também.
Por dentro, Viviane sentiu pena de Daniela... e achou aquilo injusto com ela.
Mas, no fim das contas, era apenas uma empregada.
Por fora, continuou servindo Eduardo e Diego com todo respeito.
Viviane colocou a canja de galinha para esfriar e voltou à cozinha para preparar os outros pratos.
Eduardo acomodou Diego em uma cadeira à mesa de jantar e se sentou ao lado dele.
Diego, com seus grandes olhos curiosos, olhou ao redor antes de voltar o olhar para Eduardo.
— Papai... onde é aqui?
Eduardo olhou para ele, com a voz baixa e suave:
— Esta é a minha casa. E também é a sua.
Diego piscou, confuso:
— Então... aqui também é a casa da mamãe?
Eduardo hesitou por um instante.
Ao encarar aquele rosto inocente, pressionou os lábios, prestes a responder.
Mas, nesse momento, o celular no bolso dele vibrou.
Era uma ligação de Benjamin.
— Sr. Eduardo, a Sra. Daniela descobriu algumas coisas... que são muito desfavoráveis para a Srta. Agatha!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...