Daniela manteve uma expressão séria.
— Em qual dessas categorias o caso de Glória se encaixa?
Alexandre ajustou os óculos e soltou um suspiro.
— A Sra. Mariana informou que Glória nasceu prematura e que as condições em que viveu depois do nascimento nunca foram adequadas. Por isso, os especialistas concordam que o quadro foi provocado pela combinação de fatores congênitos e adquiridos. Isso explica por que a doença evoluiu de forma tão agressiva.
Daniela olhou para Samuel.
Ele entendeu o que ela queria saber e perguntou:
— Em um caso como esse, o transplante de medula óssea pode curar completamente a doença?
Alexandre não respondeu de imediato.
Primeiro, olhou para Mariana. Depois, soltou outro suspiro.
— Glória é muito pequena, e a doença está avançando depressa demais. Existem várias etapas antes que o transplante possa ser realizado. Diante do estado atual dela, temo que não resista até lá.
Mariana correu até Daniela e agarrou seu braço com todas as forças.
— Isso é impossível! Não escuta o Dr. Alexandre! Glória é muito forte. Depois que nasceu, ficou entre a vida e a morte várias vezes. Os médicos sempre achavam que ela não sobreviveria, mas ela conseguiu resistir todas as vezes!
Já completamente descontrolada, Mariana continuou:
— Ela é uma menina tão boazinha e obediente. Há alguns dias, disse que, quando você voltasse para buscar ela, iria com você sem reclamar...
Daniela observou Mariana desmoronar e sentiu o coração apertar.
Nenhuma mãe no mundo conseguiria aceitar um resultado tão cruel.
Glória era tão pequena e estava sozinha na Unidade de Terapia Intensiva, dependendo de um respirador para continuar viva.
Daniela também conhecia a dor de perder um filho.
Conseguia compreender o que Mariana estava sentindo naquele momento.
Se sua medula pudesse ajudar Glória, faria a doação sem hesitar.
Mas Alexandre tinha sido bastante claro.
No estado atual de Glória, nem mesmo uma medula compatível seria suficiente.
Ao lembrar que a menina tinha praticamente a mesma idade de Diego e Ana, Daniela sentiu uma dor aguda no peito.
Glória também já tinha chamado Daniela de mãe, ainda que de forma tímida e cautelosa.
Sempre que olhava para ela, seus olhos pareciam inocentes e um pouco assustados.


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