Mais de meio minuto se passou em silêncio.
Só quando Benedita a chamou novamente, Daniela abriu os olhos devagar.
Respirou fundo. A voz saiu baixa, sem emoção:
— Entendi. O Diego ainda é pequeno... então deixa o Eduardo continuar sendo o pai dele.
— Você concorda mesmo? — Benedita perguntou com cautela. — Você não ficou chateada?
— Não. — Respondeu Daniela. — Só peço que você deixe claro para ele que eu não sou a mãe. E que não me chame assim no futuro.
— Isso... — Benedita hesitou, mas acabou suspirando. — Fica tranquila. Eu sei o que significa para você ser mãe. Não sou insensata. O Eduardo ter escondido isso de você por cinco anos já foi uma grande injustiça.
Daniela não queria prolongar a conversa.
— Vó, ainda tenho coisas para resolver. Vou desligar.
— Espera! — Benedita falou, apressada. — A Teresa disse que você saiu sem carro, né? Já está quase no fim do expediente... quer que eu peça para o Eduardo te buscar?
— Não precisa. Alguém vai me levar.
— O Eduardo nem foi para a empresa hoje. Ele está sem fazer nada, pode muito bem ir te buscar! — Benedita suspirou. — Eu vou mandar ele pedir desculpa. Você não precisa engolir nada. Se tiver que brigar, briga mesmo!
Daniela ouviu aquilo, mas já não sentia nada.
Antes, sempre foi assim.
Toda vez que brigava com Eduardo, ela corria para Benedita.
E Benedita sempre ficava do lado dela, sem hesitar.
Mesmo quando Daniela estava errada, bastava reclamar que a avó a defendia.
Dessa vez, à primeira vista, parecia igual.
Mas não era.
Agora havia Diego.
E tudo tinha mudado.
Aquela avó que nunca deixava que ela sofresse... agora tinha um bisneto.
E começou a pender para o outro lado.
Talvez fosse inevitável.
O coração das pessoas muda.



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