— Tá bom.
Daniela abriu a porta do carro, desceu, fechou e deu alguns passos.
Simão abaixou o vidro do passageiro:
— O que foi?
Daniela fez um gesto com a mão:
— Acabei de lembrar... a Ana tem o sistema digestivo mais sensível, né? Eu conheço um médico muito bom. Você pode levar ela para consultar.
— Isso seria ótimo. Você tem o contato?
Daniela pegou o celular:
— Tenho. Vou te enviar.
— Perfeito.
Daniela ficou olhando o carro se afastar. Respirou fundo e se virou para entrar.
No segundo andar, no escritório, uma figura alta estava parada diante da janela.
......
Daniela entrou, trocou os sapatos e seguiu para a sala.
Benedita estava sentada na cadeira de rodas.
No sofá ao lado, Diego estava de pernas cruzadas, segurando um robô novo.
Benedita observava o menino brincar, completamente envolvida.
Nem percebeu que Daniela tinha voltado.
Daniela parou.
Ficou ali, em silêncio, olhando para ela.
Um minuto.
Dois.
Três.
O tempo passava, e Benedita continuava sem notar sua presença.
Daniela desviou o olhar, virou e caminhou em direção à escada.
O som dos passos ecoou pela casa.
Ainda assim, não chamou a atenção de Benedita.
Ela subiu devagar, a cada degrau, memórias vinham à tona.
Os pais sempre foram muito rígidos com ela.
Na família, só o avô a tratava com carinho.
Ele era amigo de Benedita. Jogavam xadrez juntos.
E sempre levavam Daniela.
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