Yasmin apertou os lábios. Depois de alguns segundos, falou com cautela:
— Na verdade, tenho uma hipótese meio ousada. Não sei se você quer ouvir.
Daniela fechou os olhos e respirou fundo.
Quando abriu novamente, ergueu o olhar para o céu pela janela do carro.
A chuva tinha parado, mas o céu ainda estava cinzento.
— Quanto você acha que pesa uma relação de cinco anos?
Yasmin não esperava a pergunta. Ficou confusa.
— Quanto pesa?
Daniela baixou o olhar.
— Antes de descobrir que Eduardo mentia para mim, esses cinco anos tinham um peso enorme. Tão grande que, acontecesse o que fosse, eu sempre pensava em enfrentar tudo ao lado dele. Mesmo quando eu estava afundando na dor de perder meus bebês, eu dizia para mim mesma: aguenta mais um pouco, seja forte, pelo Eduardo.
Ao ouvir aquilo, Yasmin começou a entender.
Daniela virou o rosto, se recostou no banco e fechou os olhos.
— Nem no pior momento eu pensei em desistir dele. Nunca quis deixar ele sozinho. Eu achava que o que existia entre nós era forte o suficiente para atravessar qualquer sofrimento. Mas, claramente, ele não pensava assim.
Yasmin hesitou.
— Talvez ele tivesse seus motivos.
— Isso já não importa.
Daniela interrompeu, com a voz baixa, carregada de cansaço.
— A gente chegou até aqui se conhecendo bem. Ele sabe quem eu sou, sabe quais são meus limites. Ele fez a escolha dele, e eu também vou manter a minha. No fim, não era para ser.
......
Depois do funeral de Benedita, Daniela não saiu mais de casa.
Passava os dias descansando e organizando as malas.
No terceiro dia, após o almoço, estava prestes a subir para descansar quando a campainha tocou.

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