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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 170

Bia levou a sacolinha até a cama, apoiou as duas mãozinhas no colchão e abriu um sorriso.

— Tia Evelyn, eu fiz um bolinho pra você.

Tatiane se surpreendeu, e seus olhos se iluminaram na hora.

— Foi você que fez?

Bia assentiu, toda orgulhosa.

— Foi. Prova, vai.

Por um instante, Tatiane sentiu o peito apertar.

Era uma sensação difícil de explicar.

Durante aqueles cinco anos, ela não tinha estado ao lado da filha nem por um único dia. Ainda assim, Bia se apegava a ela daquele jeito, com tanta doçura e naturalidade, como se nunca tivesse existido distância entre as duas.

Aquilo a enternecia.

E, ao mesmo tempo, fazia a culpa pesar ainda mais.

Tatiane conteve a emoção, pegou a sacola e tirou de dentro a caixinha com o bolo. Bastou olhar para perceber que tinha sido mesmo feito por mãos de criança: o formato estava tortinho, irregular, longe de qualquer perfeição.

Ainda assim, havia ali um cuidado que tocava fundo.

Ela abriu a tampa, pegou a colher e experimentou.

Estava gostoso.

Doce na medida, sem enjoar.

Tatiane sorriu.

— Ficou uma delícia. A Bia manda muito bem.

Bia abriu um sorriso tão lindo que as covinhas apareceram na mesma hora.

Tatiane então pegou mais um pouquinho e levou à boca da menina. Bia comeu, satisfeita, e as duas se olharam com um sorriso cúmplice, como se, por um instante, tudo ao redor tivesse ficado leve e morno.

Naquele momento, Tatiane quase se esqueceu de que Henrique ainda estava ali.

Ele observava a cena em silêncio.

No fundo dos olhos escuros, havia uma expressão difícil de ler. Algo pesado, contido, que não deixava transparecer o que de fato se passava dentro dele.

Foi então que o celular vibrou.

Tatiane ergueu os olhos imediatamente.

Henrique olhou para a tela, virou-se e saiu do quarto para atender.

Tatiane acompanhou com o olhar as costas dele se afastando e só então conseguiu respirar um pouco melhor.

"Será que ele tinha percebido alguma coisa?"

Ela queria acreditar que não.

Mas nem ela mesma conseguia ter certeza.

Quando Henrique voltou, guardou o celular e disse:

— Bia, está na hora de ir.

Bia fez cara feia na mesma hora.

— Não quero. A tia Evelyn está doente. Ela vai ficar aqui sozinha.

Tatiane tentou convencê-la com paciência:

— Bia, a titia está bem. Vai com o papai. Quando eu melhorar, fico com você.

Mas daquela vez a menina não cedeu.

Continuou decidida a ficar e ainda apressou Henrique, com toda a seriedade do mundo:

— Eu vou me comportar direitinho. Papai, depois você volta pra me buscar. Agora vai trabalhar.

Henrique lançou um olhar para Tatiane.

— Então vou deixar ela com a senhorita Evelyn.

Dito daquele jeito, Tatiane não tinha muito espaço para recusar.

No fim, acabou concordando.

Antes de sair, Henrique fez uma ligação e mandou um dos seguranças subir para ficar de guarda do lado de fora do quarto.

Depois, deixou o hospital e entrou no carro.

Pouco depois, recebeu uma ligação de Karine.

Tatiane conseguia andar sem dificuldade. Como estava em um quarto individual, ficou ali com Bia.

A menina tinha levado alguns livros e o tablet.

As duas se sentaram no sofá. Tatiane a puxou para perto, abriu um livro e começou a contar uma história. Bia se aninhou nela, quietinha, dócil, inteiramente à vontade.

Sentindo o cheirinho doce da filha e vendo aquele rostinho feliz tão perto, Tatiane pensou que, mesmo que aquilo durasse pouco, já valia a pena.

Às seis da tarde, uma enfermeira entrou no quarto para avisar que Heitor havia acordado.

Tatiane soltou o ar devagar, aliviada.

Tomás estava com ele.

Mais tarde, enquanto ela e Bia jantavam, Leandro apareceu no quarto.

Ao ver a menina, ele não pareceu surpreso. Havia um segurança do lado de fora, então ele já imaginava o motivo.

Tatiane olhou para ele.

— Professor, já jantou?

Leandro assentiu.

— Já.

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