Bia levou a sacolinha até a cama, apoiou as duas mãozinhas no colchão e abriu um sorriso.
— Tia Evelyn, eu fiz um bolinho pra você.
Tatiane se surpreendeu, e seus olhos se iluminaram na hora.
— Foi você que fez?
Bia assentiu, toda orgulhosa.
— Foi. Prova, vai.
Por um instante, Tatiane sentiu o peito apertar.
Era uma sensação difícil de explicar.
Durante aqueles cinco anos, ela não tinha estado ao lado da filha nem por um único dia. Ainda assim, Bia se apegava a ela daquele jeito, com tanta doçura e naturalidade, como se nunca tivesse existido distância entre as duas.
Aquilo a enternecia.
E, ao mesmo tempo, fazia a culpa pesar ainda mais.
Tatiane conteve a emoção, pegou a sacola e tirou de dentro a caixinha com o bolo. Bastou olhar para perceber que tinha sido mesmo feito por mãos de criança: o formato estava tortinho, irregular, longe de qualquer perfeição.
Ainda assim, havia ali um cuidado que tocava fundo.
Ela abriu a tampa, pegou a colher e experimentou.
Estava gostoso.
Doce na medida, sem enjoar.
Tatiane sorriu.
— Ficou uma delícia. A Bia manda muito bem.
Bia abriu um sorriso tão lindo que as covinhas apareceram na mesma hora.
Tatiane então pegou mais um pouquinho e levou à boca da menina. Bia comeu, satisfeita, e as duas se olharam com um sorriso cúmplice, como se, por um instante, tudo ao redor tivesse ficado leve e morno.
Naquele momento, Tatiane quase se esqueceu de que Henrique ainda estava ali.
Ele observava a cena em silêncio.
No fundo dos olhos escuros, havia uma expressão difícil de ler. Algo pesado, contido, que não deixava transparecer o que de fato se passava dentro dele.
Foi então que o celular vibrou.
Tatiane ergueu os olhos imediatamente.
Henrique olhou para a tela, virou-se e saiu do quarto para atender.
Tatiane acompanhou com o olhar as costas dele se afastando e só então conseguiu respirar um pouco melhor.
"Será que ele tinha percebido alguma coisa?"
Ela queria acreditar que não.
Mas nem ela mesma conseguia ter certeza.
Quando Henrique voltou, guardou o celular e disse:
— Bia, está na hora de ir.
Bia fez cara feia na mesma hora.
— Não quero. A tia Evelyn está doente. Ela vai ficar aqui sozinha.
Tatiane tentou convencê-la com paciência:
— Bia, a titia está bem. Vai com o papai. Quando eu melhorar, fico com você.
Mas daquela vez a menina não cedeu.
Continuou decidida a ficar e ainda apressou Henrique, com toda a seriedade do mundo:
— Eu vou me comportar direitinho. Papai, depois você volta pra me buscar. Agora vai trabalhar.
Henrique lançou um olhar para Tatiane.
— Então vou deixar ela com a senhorita Evelyn.
Dito daquele jeito, Tatiane não tinha muito espaço para recusar.
No fim, acabou concordando.
Antes de sair, Henrique fez uma ligação e mandou um dos seguranças subir para ficar de guarda do lado de fora do quarto.
Depois, deixou o hospital e entrou no carro.
Pouco depois, recebeu uma ligação de Karine.
Tatiane conseguia andar sem dificuldade. Como estava em um quarto individual, ficou ali com Bia.
A menina tinha levado alguns livros e o tablet.
As duas se sentaram no sofá. Tatiane a puxou para perto, abriu um livro e começou a contar uma história. Bia se aninhou nela, quietinha, dócil, inteiramente à vontade.
Sentindo o cheirinho doce da filha e vendo aquele rostinho feliz tão perto, Tatiane pensou que, mesmo que aquilo durasse pouco, já valia a pena.
Às seis da tarde, uma enfermeira entrou no quarto para avisar que Heitor havia acordado.
Tatiane soltou o ar devagar, aliviada.
Tomás estava com ele.
Mais tarde, enquanto ela e Bia jantavam, Leandro apareceu no quarto.
Ao ver a menina, ele não pareceu surpreso. Havia um segurança do lado de fora, então ele já imaginava o motivo.
Tatiane olhou para ele.
— Professor, já jantou?
Leandro assentiu.
— Já.
— Sr. Henrique.
Henrique apenas fez um leve aceno de cabeça. O rosto continuava impassível. Em seguida, olhou para a filha.
— Bia, vamos.
A menina ainda não queria ir.
Tatiane precisou insistir com carinho:
— Já está tarde. A Bia também precisa descansar.
Bia ficou quieta por um instante. Depois ergueu o rostinho e disse:
— Então amanhã eu volto pra fazer companhia pra tia Evelyn.
Tatiane assentiu.
Arrumou a mochilinha da menina e colocou nas costas dela.
Henrique então se abaixou e a tomou nos braços.
— Tia Evelyn, tio Leandro, tchau.
Bia se despediu dos dois, acenando com a mãozinha.
Leandro acenou de volta.
— Tchau. Vão com cuidado.
Henrique saiu do quarto com a filha no colo. Bia ainda continuou olhando para Tatiane, a contragosto, cheia de apego. Só depois que já estavam do lado de fora é que virou o rosto para a frente.
Depois que ela foi embora, Leandro voltou a falar com Tatiane sobre a Pró-Vida. Ele já tinha entrado em contato com a empresa e confirmado a assinatura para o dia seguinte. Ao que tudo indicava, Henrique ainda não tinha interferido diretamente.
— Desde que assinem amanhã, já está ótimo. — Disse Tatiane.
Leandro assentiu.
— Daqui a pouco eu falo com o médico. Mesmo que você só possa sair por uma hora, já basta. E, sinceramente, acho melhor que seja você a ir. Foi você que conduziu isso até aqui. O certo é fechar pessoalmente.
Henrique levou Bia até o carro, e o veículo deixou o hospital devagar.
De repente, a menina chamou:
— Papai...
Henrique olhou para ela.
— O que foi?
Bia hesitou por um instante antes de perguntar:
— Papai... Você não pode se dar bem com a tia Evelyn igual ao tio Leandro?
Henrique perguntou, sem alterar o tom:
— Por que você acha isso, Bia?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
Autora, agora você acertou em cheio. Essa declaração de Henrique foi demais. Ele sabe que ela recuperou a memória, ele não pede perdão, ele assume o erro, ele promete compensar pelo resto da vida, ele não exige que ela acredite, ele espera que ela acredite. É outro homem, kkkk. Esse homem também é muito carente, precisava deixar o filho com fome, mamando todo o leitinho da mãe? Kkkkk....
A história ta chata,Henrique um imbecil, canalha desde o início, Tatiane sem nenhuma atitude de verdade....
Eu pulei do capítulo 1122 para o capítulo 1146 e, ACREDITEM....., não senti nenhuma diferença....
Entre os parágrafos: OS DOIS SE VIRARAM...e ANDRÉ DEMONSTROU SURPRESA.; tem mais 5 parágrafos sim bastante coisa. Aqui a gente paga e não recebe toda a história. Acompanho no app GOOD NOVEL e vejo que falta muito texto aqui....
Esse livro era otimo ate o capitulo 700 mas agora esta simplesmente um porre.... sem falar q atualiza a prestação. Ja gastei tanto tempo e dinheiro, so por isso continuo... se naoz queria nem ler essa porcaria mais....
Um capítulo por dia!!!! Não é possível, a história já está se arrastando faz tempo, nenhuma tomada de decisão e agora um capítulo por dia! Acho que a autora quer que os leitores abandonem o livro....
Agora vai um capítulo por dia? Então muda lá na capa onde diz "7 capítulos por dia"....
Tá tedioso! Estou pulando capítulos. Devia encerrar logo....
Alguem aqui que possa fazer a autora desse livro entender que ja esta INSUPORTÁVEL a leitura??? E que acredito q ninguem aguenta mais tanta chatuce q nao chega a lugar NENHUM???? Henrique um executivo imponente ate lguns capitulos atras, agora parece um adolescente de 15 anos atras dessa CHATA da Tatiane?????...
Esse livro NAO ACABA NUNCA???? JA ESTA MUITO CHATO e eu nao posso parar de ler pq ja gastei muito tempo e dinheiro....Que chatice!!!! Pelo mor de Deus, da um tom de romance entre Henrique e Tatiane. Que por sinal, ela está muito irritante isso sim......