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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 223

— Você... — A respiração de Tatiane falhou por um instante. — O que é que você quer, afinal?

Henrique se virou e foi até ela em passos largos.

Antes que Tatiane pudesse reagir, ele agarrou seu pulso com força.

— Henrique... Você ficou louco?

No instante seguinte, Tatiane foi atirada no sofá.

Logo depois, a presença dele caiu sobre ela como uma tempestade, opressiva, sufocante, fazendo cada poro do seu corpo se contrair.

Ela arregalou os olhos, tomada pelo pânico, e encarou o homem inclinado sobre si. Henrique segurou seu queixo, forçando-a a levantar o rosto e encará-lo.

O semblante dele parecia talhado em gelo.

— Com que direito eu te trato assim? — Repetiu, deixando escapar uma risada curta, carregada de escárnio. — Com o direito de que foi você quem resolveu se meter com o que não devia.

Tatiane permaneceu imóvel, com o corpo inteiro em alerta, observando-o com cautela.

— E agora? Vai querer ficar com quem desta vez?

O tom dele vinha carregado de deboche, de pura provocação.

O peito de Tatiane subia e descia com violência.

Ela entendeu perfeitamente a insinuação.

Tomada pela raiva, ergueu a mão para acertá-lo, mas Henrique a conteve com facilidade, prendendo seu braço contra o encosto do sofá.

— Tatiane, não testa a pouca paciência que ainda me resta.

Sem conseguir se soltar, ela o encarou com ódio e disparou:

— Henrique, seu desgraçado.

Henrique sustentou seu olhar sem piscar. Quando falou, a voz saiu baixa, firme, ameaçadora:

— Tatiane, vou deixar uma coisa bem clara: tudo o que diz respeito à Bia, ninguém toca. Ninguém encosta. Nem por um segundo. E, se alguém tentar, eu faço essa pessoa sumir do mundo de uma vez por todas.

A ameaça nua e crua na voz dele tornou o ar ainda mais pesado, e Tatiane sentiu até respirar ficar difícil.

Os olhos dos dois se encontraram.

Por um instante, o silêncio pesou entre eles. O ambiente parecia denso, quase irrespirável.

Tatiane olhou para Henrique. Então, como se alguma coisa tivesse se encaixado dentro dela, soltou uma risada de repente.

Fria. Irônica.

— Henrique... Você realmente ama a Bia? Você sabe mesmo o que é amar uma filha?

Henrique continuou olhando para ela, sem responder.

— Se ama, então por que fica se agarrando com a Karine na frente dela? Você quer que a Bia aceite aquela mulher, não quer?

Tatiane riu de novo, amarga.

— Só que a Bia sabe muito bem distinguir quem gosta dela de verdade de quem só está fingindo. Ela não gosta desse tipo de gente falsa, que vive de aparência, como a Karine.

— Papai... Não briga com a tia Evelyn... Eu... Eu não quero que vocês briguem...

Tatiane ficou paralisada onde estava. Ao ouvir o choro da filha, sentiu o coração se partir.

Henrique lançou a ela um olhar frio, cortante. Em seguida, saiu dali com a menina nos braços.

O choro de Bia foi se afastando aos poucos.

Tatiane permaneceu sentada no sofá, sem saber por quanto tempo.

Sua mente tinha esvaziado por completo, e era como se uma pedra imensa esmagasse seu peito.

Até que, de repente, Bia voltou correndo para o escritório.

Tatiane se levantou na mesma hora, foi até ela depressa, se abaixou e a apertou nos braços.

Os olhos da menina estavam vermelhos e inchados de tanto chorar.

— Bia... Me desculpa... — Pediu Tatiane, com a voz rouca.

Bia se agarrou a ela e soltou um soluço.

— Tia Evelyn... Não briga com o papai, tá bom? Eu não quero ver vocês brigando...

Tatiane a abraçou com mais força. Respirou fundo, mas a voz ainda saiu fraca, exausta:

— Tá bom... A gente não vai mais brigar.

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