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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 225

Bia disse que queria soltar pipa à tarde.

— Hoje está muito quente. Melhor não. — Tatiane respondeu na mesma hora.

Bia pensou por um instante e logo encontrou uma solução:

— Na casa da montanha dá pra soltar pipa. Lá não faz calor. Eu e o papai vamos sempre pra lá.

Ela estava falando da casa que Henrique tinha na serra.

Tatiane lançou um olhar para ele.

Henrique então disse à filha:

— Depois do almoço você descansa um pouco, e aí a gente vai.

— Tá bom.

Depois do almoço, a babá separou tudo o que Bia poderia precisar.

O motorista levou o carro até a entrada.

Bia pulava de um lado para o outro, como um coelhinho elétrico.

Criança era assim mesmo: a tristeza vinha num instante e, no outro, já tinha passado.

Os três entraram no carro.

Pouco depois de saírem, Bia adormeceu de novo. Henrique a cobriu com uma mantinha.

Com a menina dormindo em silêncio, o carro mergulhou numa quietude pesada.

Henrique e Tatiane seguiram sem trocar uma única palavra.

Tatiane observava o rosto sereno da filha adormecida quando, de repente, sentiu um aperto no peito, fundo e difícil de explicar.

Foi então que o celular de Henrique vibrou.

Ele atendeu.

Pelo tom da voz, Tatiane percebeu logo que era Karine. Devia estar procurando por ele.

— Hoje eu já tenho compromisso. Fica pra outra hora.

Do outro lado da linha, Karine perguntou:

— Você saiu com a Bia?

Henrique respondeu apenas:

— Sim.

Karine mordeu o lábio e desligou.

Tatiane virou um pouco o rosto para a janela do carro. Ao ouvir a voz calma e controlada de Henrique, sentiu um sarcasmo amargo subir no peito.

Então a voz grave dele soou, carregada de irritação:

— Está rindo do quê?

Tatiane se virou para encará-lo.

A expressão de Eliane também se fechou. Ela continuou afagando o ombro da filha enquanto dizia:

— Kari, sobe primeiro. Quero conversar com o seu irmão.

Karine soltou um soluço baixo e subiu as escadas.

Assim que a filha saiu, Eliane voltou a olhar para o filho.

— Felipe, me fala a verdade.

— A Bia não consegue aceitar a Kari ao lado do pai. — Felipe respondeu sem rodeios.

O rosto de Eliane escureceu ainda mais.

— A própria mãe abandonou a menina. E a Kari já trata a Beatriz bem até demais. Como é que ela ainda não aceita?

— Coisa de criança... Ninguém sabe de verdade o que passa na cabeça delas. — Felipe fez uma breve pausa, e sua expressão ficou mais séria. — Mas, mãe... A senhora quer mesmo que a Kari se case com o Henrique pensando só na felicidade dela?

Eliane o encarou.

— Felipe, o que você quer dizer com isso?

Felipe falou em tom de advertência:

— Henrique não é homem que se deixe manipular. Em certas coisas, é melhor a senhora não se meter fundo demais.

Como Eliane não entenderia o que o próprio filho estava insinuando?

No conflito interno que abalava a MK naquele momento, Eliane, movida pelos próprios interesses, havia se colocado ao lado do marido e de Fabrício. Naquele ano, o rapaz já tinha dezenove anos, e ela queria abrir caminho para o próprio filho.

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