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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 482

Felipe ficou olhando para aquela mensagem por muito tempo.

No fim, não respondeu.

Eliane discou outro número.

Assim que a ligação foi atendida, perguntou:

— Como anda a situação com Frederico?

Nunca ninguém ousara humilhá-la daquele jeito. Afinal, quem Mônica pensava que era?

— O outro lado está muito bem protegido. Tem gente acompanhando ele o tempo todo. Frederico simplesmente não encontra uma brecha para se aproximar de Mônica.

O rosto de Eliane se fechou.

Enquanto não descontasse aquela raiva em alguém, não conseguiria dormir nem comer em paz.

Naquela noite, às seis horas, Felipe saiu do prédio da empresa e, de relance, viu uma figura sentada na área de espera do saguão.

Seus passos pararam de repente.

Os dedos, escondidos no bolso, se curvaram involuntariamente, e sua mente ficou em branco por um instante.

Assim que o viu, Marcos se levantou devagar.

Seu filho havia crescido. Estava diferente. Ainda assim, Marcos o reconheceu no mesmo instante.

Naquele segundo, seus olhos se encheram de lágrimas.

Felipe permaneceu parado no mesmo lugar, os pés pesados como chumbo, incapaz de dar um único passo por um longo tempo.

Alguns funcionários, já de saída, passaram por ele e o cumprimentaram, mas Felipe nem pareceu ouvir.

Eles estranharam, trocaram olhares discretos e seguiram em silêncio.

Dez minutos depois, Felipe e Marcos estavam sentados frente a frente em um restaurante perto da empresa.

Embora fossem pai e filho, tantos anos haviam se passado que, por um momento, nenhum dos dois soube o que dizer.

O silêncio se prolongou demais.

Foi Marcos quem tomou a iniciativa de falar, quebrando aquele clima sufocante:

— Fê... Você já se casou?

— Ainda não. O trabalho toma muito do meu tempo. — Respondeu Felipe.

Sua voz estava mais suave, como a de um filho respondendo com seriedade à pergunta do pai.

— Você já não é mais tão novo assim. O trabalho é importante, claro, mas casamento também não é coisa para se adiar para sempre. Precisa pensar nisso com calma.

Felipe assentiu.

— Vou pensar, sim.

Marcos olhou para Felipe, inspirou fundo e disse:

— Fui eu que perguntei por você. Quando soube que estava em Nova Aurora, quis te ver também, Fê.

Seu pai continuava o mesmo. Quando mentia, o olhar nunca parava quieto.

Felipe percebeu, mas não o desmascarou.

— Pai, o senhor já odiou a minha mãe?

A pergunta veio de repente.

Marcos apertou os dedos e balançou a cabeça.

— Sua mãe sempre achou que se casar comigo foi uma injustiça com ela. Para mim, só o fato de ela ter aceitado ser minha esposa já era mais do que eu podia pedir. Talvez esse tenha sido o destino de nós dois. Não culpo ninguém. Só sinto que falhei com você e com a Tati.

Ele se lembrou do estado em que Tati ficara naquela época.

Fê certamente não devia ter ficado muito melhor.

Ao pensar nisso, sentiu o peito se apertar.

Um soluço abafado escapou de sua garganta.

Felipe ergueu o rosto, desviando o olhar para a janela.

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