Luísa não sabia se todo homem sonhava em ter uma esposa fiel em casa e outras aventuras lá fora. Mas, se esse tipo de situação acontecesse com ela, jamais aceitaria.
Em toda Cidade J, todos sabiam que a filha da família Rodrigues era o tesouro no coração do segundo jovem mestre da família Monteiro.
O que ela pedia, ele dava. O que ela sonhava, ele entregava.
A casa estava abarrotada de edições limitadas das maiores grifes, joias, bolsas e relógios cobriam paredes inteiras, e a garagem, lotada de carros de luxo, deixava qualquer um tonto só de olhar.
Até mesmo nos banquetes, Rodrigo não se afastava dela nem por um segundo, sempre de mãos dadas, temendo que ela se machucasse ou sofresse qualquer injustiça. Era um tipo de favoritismo que despertava a inveja de todos.
Até Luísa quase acreditou que Rodrigo realmente a amava acima de tudo.
— Mamãe. — A voz adocicada e sonolenta de um garotinho a chamou, enquanto ele esfregava os olhos inchados de sono. — Você não está feliz hoje?
— Não, está tudo bem. — Luísa disse, ajeitando o cobertor ao redor dele com ternura.
O menino se ergueu da cama, e, sob o olhar surpreso dela, se lançou em seus braços.
— Me abraça.
Ela congelou por um instante.
— Não sei por que você está triste, mas, aconteça o que acontecer, eu sempre vou te amar. — Ele apertou os bracinhos ao redor dela, tentando transmitir seu calor.
Luísa sorriu com doçura e deu leves tapinhas em suas costas. Com isso, ganhou coragem suficiente para encarar certas verdades.
Às onze da noite, Luísa já havia colocado o filho para dormir.
Sozinha na sala, ela olhou as horas uma e outra vez. Só quando o relógio se aproximava das onze e quarenta, a porta enfim se abriu. Rodrigo entrou, vestindo uma camisa branca impecável, o paletó preto sob medida estava jogado no braço. Sua figura limpa e elegante, com traços perfeitos, parecia sem qualquer defeito. Como se fosse o próprio favorito dos céus.
— Ainda acordada? — Como de costume, veio até ela, puxando-a para o colo. Sua mão deslizou sem pudor por dentro da roupa, acariciando-lhe a cintura macia.
Incapaz de suportar o assédio hábil dele, Luísa retirou sua mão.
— Espera, eu tenho algo a dizer.
— Pode falar enquanto fazemos. — A voz dele era baixa, sedutora.
— Não. — Ela foi firme.
— Pode sim. — E a beijou, colando os lábios nos dela com naturalidade.
Mas Luísa pensou no batom na camisa dele, nas fotos que tinha visto, e seu estômago revirou. Sem saber de onde arranjou força, ela empurrou-o.
— O que foi? — Rodrigo franziu a bela sobrancelha, incomodado com sua rejeição.
O coração dela disparou sob a pressão dele.
Após dois segundos de silêncio, ela criou coragem e o encarou.
— Eu vi as suas fotos com a Tatiana Silva, passando a noite na casa do lago.
— Hum. — Ele ainda a segurava.
O coração dela doeu como se tivesse sido perfurado.
Nem uma explicação?
— Já que descobriu, quero conversar sobre algo com você. — A voz dele era calma, profunda.
— Diga. — Luísa reprimiu a emoção.
— Quero que aceite a existência dela. — Os olhos dele eram diretos. — Ela é muito importante para mim.
O olhar dela se encheu de incredulidade.
— Contanto que você concorde, será para sempre a Sra. Monteiro. Ninguém jamais vai abalar a sua posição. — Ele acrescentou.
— Você tem noção do que está dizendo? — A natureza sempre dócil dela, dessa vez, se inflamou.
— Tem certeza do que está dizendo? — Os olhos dele eram profundos.
— Absoluta. — Para ela, fidelidade era o limite inegociável no casamento.
Rodrigo a fitou com atenção. Jamais imaginou que a esposa, sempre tão obediente e dócil, se rebelaria um dia.
— Certo. — Ele concordou rapidamente.
A resposta seca dele a machucou por dentro. No fundo, ela sabia que, em todos esses anos, nunca havia realmente conquistado o coração dele. O carinho e amor que tinha recebido não passava de um capricho passageiro dele.
Ao pensar nisso, o peso em seu peito só aumentou, e ela se sentiu cada vez mais deprimida. Subiu ao quarto e pegou os papéis do divórcio, preparados há algum tempo.
Na verdade, devia ter percebido antes.
Três meses atrás, ela sentiu pela primeira vez um perfume feminino nele. Quando ela questionou, ele disse que devia ter acontecido por acaso, no avião. Ela acreditou nele.
Agora ela se apercebia que aquilo não passava de uma desculpa esfarrapada. Há exatamente três meses, Tatiana tinha voltado do exterior.
— Aqui está o acordo de divórcio. Dá uma olhada. — Luísa disse, em seguida, assinou diante dele e entregou a ele os papéis. — Se não houver problema, assine também. Amanhã damos entrada no processo.
— Você sabe o que o divórcio significa para você? — Rodrigo foi direto.
A mão dela apertou o punho.
— Não preciso que me lembre. — Ela respondeu.
— Estamos casados há cinco anos. Você está desempregada. — Disse Rodrigo, pegando o acordo de divórcio. A voz dele era cruel. — Como você vai pagar o tratamento caríssimo da sua mãe? Já pensou nisso?
Enquanto falava, ele abriu o documento.
Ao ver que estava escrito que os bens seriam divididos meio a meio e a guarda do filho ficaria com ela, Rodrigo ergueu os olhos e a encarou, a voz carregada de desprezo:
— Você tem coragem de sonhar alto, hein?

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