— Tudo o que está escrito aí está de acordo com a lei. — Luísa não havia tentado tirar vantagem dele. — Quanto à criança, sua conduta é vergonhosa. Jamais permitiria que ele vivesse com você.
— Estamos casados há cinco anos, e você nunca ganhou um centavo. — Rodrigo falou sem nenhuma piedade. — Por que eu deveria te dar a metade do que foi conquistado por mim?
— Sou eu quem cuida do seu dia a dia e do Cacá. — Luísa retrucou.
— E daí? — Rodrigo a encarou com frieza.
E daí?
Ela o olhou como se fosse a primeira vez que o conhecia.
— Se pretende usar os bens do casamento para pagar o tratamento caríssimo da sua mãe, recomendo que desista agora. — Ele atirou o acordo de divórcio sobre a mesa de centro.
— O que você quer dizer com isso? — Luísa o encarou.
— Que não existe patrimônio pós-casamento. — Ele respondeu, tranquilo. — Se não acredita, pode entrar com o processo e pedir para o tribunal investigar.
Ela se surpreendeu. Ficou perplexa por dois segundos, mas logo entendeu o que estava acontecendo. Desde a primeira vez que ela questionou, até aquele momento, quando ele admitiu ter outra mulher, ele já havia transferido todo o patrimônio do casamento.
Ela se perguntava por que a marca de batom no colarinho da camisa estava tão evidente, e agora tudo fazia sentido. Como ele, que sempre foi discreto e odiava exposição, permitiu que as fotos deles com Tatiana fossem vazadas?
Era tudo calculado.
Ele estava só esperando que ela descobrisse, para poder, com toda a calma do mundo, propor aquela velha história de ter uma esposa fiel em casa e outras aventuras lá fora.
"Você é realmente inacreditável."
— Não importa. — Luísa entendeu tudo. Sabia que ele tinha feito tudo de forma impecável, sem deixar rastros. — Assine logo. Só quero a guarda da criança.
Rodrigo assinou. Sua caligrafia era tão bonita quanto sua aparência. Mas, Luísa, agora, só sentia repulsa.
Na manhã seguinte, os dois foram juntos ao cartório formalizar o divórcio. Durante todo o processo, ele não tentou convencê-la, não mostrou arrependimento. Apenas manteve a mesma calma habitual, como se nada fosse.
Na hora da assinatura, Luísa olhou para ele e não conseguiu deixar de pensar: "Como ele pôde me tratar tão bem por tantos anos sem realmente me amar? Qual o significado desse relacionamento?"
— O pedido de divórcio foi registrado. — A funcionária explicou, entregando os comprovantes. — Existe um período de reflexão de um mês. Entre 13 de maio e 12 de junho, qualquer uma das partes pode vir aqui e cancelar. Entre 13 de junho e 12 de julho, podem trazer a documentação e retirar a certidão de divórcio. Caso não o façam, o pedido será considerado cancelado.
Cada um recebeu sua via.
Ao sair do cartório, Luísa não voltou com ele. E foi procurar sua melhor amiga, Bruna.
Uma situação tão grande assim precisava ser desabafada com alguém.
Quando Luísa chegou, Bruna ainda estava acordando. Mas logo percebeu a expressão carregada da amiga.
— Por que você parece deprimida? Aconteceu alguma coisa? — Perguntou, preocupada.
— Eu me divorciei de Rodrigo. — Luísa disse com calma, mas, por dentro, a dor lhe dilacerava o peito.
Quando se ama de verdade, como não doeria?
— O quê?! — Bruna arregalou os olhos, sem acreditar. — Não brinca comigo. Todo mundo sabe que o Rodrigo te trata como se fosse uma joia preciosa. Com tanto mimo, nem no fim do mundo ele deixaria você se divorciar dele.
— É verdade. — Luísa disse, séria.
Vendo seu olhar firme, Bruna percebeu que ela não estava brincando e, imediatamente, pediu mais detalhes.
Luísa contou.
Ao descobrir a razão, Bruna ficou furiosa.



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