Ele ainda vestia o mesmo terno cinza feito sob medida que tinha usado naquela manhã para ir ao cartório pedir divórcio. Sentado no sofá, exalava uma mistura de preguiça e frieza, uma indiferença distante. Conversava casualmente com o médico, como se nada tivesse acontecido. Claramente o divórcio não abalou em nada seu humor.
Ao vê-la entrar, levantou os olhos em sua direção.
As mãos de Luísa se cerraram involuntariamente ao lado do corpo. O olhar que lançou a ele estava cheio de desdém e repulsa.
— Você veio. — O médico cumprimentou de forma simples.
— Sim. — Respondeu ela, desviando o olhar.
— Como já expliquei por telefone. — O médico estendeu a ela uma folha com valores. — Aqui está a planilha com os custos mensais. Se não houver problema, preencha os dados e assine.
Ela pegou o papel.
Ao se deparar com os valores de seis a sete dígitos por mês, seu coração afundou.
Se o patrimônio pré-matrimonial não tivesse sido levado pelo pai, talvez ainda conseguisse aguentar alguns meses. Mas agora não tinha nada. Com sua situação atual, era impossível sustentar uma despesa tão grande.
— Se achar os valores muito altos, pode escolher uma dessas alternativas. — Percebendo seu dilema, o médico lhe passou outro documento.
As opções eram realmente mais baratas, mas, ainda assim, custavam mais cem mil por mês.
Enquanto ela estudava a folha, o médico inconscientemente lançou um olhar a Rodrigo. Ele respondeu com um gesto sutil. O médico entendeu na hora.
— Bom, vou dar uma olhada no estado da paciente. Veja com calma. Se nenhuma das opções for adequada, podemos conversar melhor quando eu voltar. — disse, levantando-se.
— Está bem. — Respondeu Luísa, sem tirar os olhos dos papéis.
O médico saiu, fechando a porta atrás de si.
Luísa e Rodrigo ficaram sozinhos na sala, e o silêncio tomou conta do ambiente.
— Não importa quanto tempo você fique olhando, com sua capacidade financeira nunca vai conseguir arcar com o tratamento da sua mãe. — Disse Rodrigo, num tom despreocupado, quase preguiçoso.
A raiva subiu de imediato. Ela ergueu os olhos, furiosa.
— Sem falar que você ainda precisa alugar uma casa e sustentar o Cacá. — Completou ele.
— O que você está tentando dizer? — Luísa cravou o olhar nele.
— Podemos tratar o divórcio como um capricho seu. — Respondeu Rodrigo, levantando-se e caminhando até ela. — Desde que não volte a tocar no assunto, eu pago as despesas médicas da sua mãe. E você continua sendo minha esposa.
— E a Tatiana? — Perguntou ela.
— Vocês duas não precisam se envolver. — Disse ele, frio. — Se quiser, posso garantir que ela nunca apareça na sua frente.
Ela soltou uma risada curta, carregada de sarcasmo.
— Eu deveria agradecer pela sua consideração?
— Você deve saber o que é melhor para você. — Ele entendeu o sarcasmo e falou no mesmo tom que usava em reuniões de negócios. — Depois de tanto tempo vivendo no luxo, deve entender que é fácil se acostumar ao conforto, difícil é abrir mão dele.
Claro que ela entendia.
Luísa nunca tinha vivido qualquer dificuldade. Antes da queda da família Rodrigues, ela jamais precisou se preocupar com dinheiro. Depois, antes mesmo que pudesse se recompor, Rodrigo já havia se casado com ela. Com cartões ilimitados e cuidados minuciosos, ela nunca precisou se preocupar com dinheiro.
Pelo raciocínio dele, ela deveria estar satisfeita.
O médico voltou, interrompendo seus pensamentos.
— Dr. Eduardo, vou levar os papéis e pensar melhor antes de decidir. Está bem? — Disse ela, recompondo-se.
— Claro. Mas não demore muito. O ideal é definir dez dias antes da próxima cobrança. — Respondeu o médico.
— Certo, obrigada. — Luísa disse, guardando os documentos e saindo do hospital.
Decidiu que precisava encontrar um emprego primeiro. Se o salário fosse bom, manteria a mãe ali mesmo. O hospital, que era privado, e pertencia ao Grupo Monteiro, era uma das melhores instituições do país e do exterior, equipado com tecnologia de ponta e especialistas renomados. Graças a Rodrigo, sua mãe sempre recebeu o melhor tratamento em todos os aspectos. Transferi-la significaria colocar sua vida em risco. Ela era sua única família verdadeira, a única pessoa que realmente a amava. Ela não queria que nada acontecesse com a mãe.
Esses pensamentos a acompanharam desde a saída do hospital até chegar em casa.
Pelo caminho, ela refletia em como contar para o Cacá sobre o divórcio. O menino sempre foi inteligente e maduro, com uma sensibilidade rara para a idade. Quase nunca dava trabalho. Mas divórcio não é coisa pequena para uma criança. Ela se preocupava que ele não conseguisse aceitar.
Mas, enquanto se preocupava, outros já agiam de forma oposta.
Assim que chegou em casa, deparou-se com uma cena que a fez sentir nojo. Tatiana estava no sofá, aninhada nos braços de Rodrigo.
— Afinal, aqui ainda é a sua casa com a Luísa. Não é inapropriado eu aparecer aqui? — Disse Tatiana, num tom hesitante.
— Não. — Respondeu ele, com voz grave.
— Mas... — Tatiana hesitou.
— Logo ela vai se mudar. Depois disso, você será a dona desta casa. — Ele a tranquilizou.
Tatiana ergueu os olhos para ele. Seus olhares se entrelaçaram, cheios de ternura. Estavam tão absorvidos um no outro que nem perceberam Luísa voltar.

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