Luísa voltou o olhar para ela de lado.
A boca de Bruna não parava, despejando palavras sem pausa, os olhos focados na estrada à frente. Ao final, ela teve o cuidado de pedir a opinião de Luísa:
— Quero saber se você consegue aceitar.
— Essa "colecionadora particular" é você, não é? — Luísa a desmascarou sem hesitar, embora um calor lhe subisse ao peito, confortada por ter uma amiga assim.
— Hã? — Bruna sequer vacilou.
Luísa não queria envolvê-la ainda mais em toda aquela situação.
— O Rodrigo me disse que, enquanto ele não der o aval, ninguém ousará comprar esse anel. No círculo, a única que aceitaria se indispor com ele para me ajudar é você.
— Você é boba ou o quê? — Bruna retrucou, dura, sem admitir nada. — Os outros podem não querer peitar ele, mas os inimigos dele certamente não se importariam.
Mal terminou de falar, o celular de Bruna vibrou, recebendo uma enxurrada de mensagens.
Cada uma delas informava que seu cartão tinha sido bloqueado.
Além disso, veio mais uma mensagem, com o remetente salvo como "Pai Canalha":
[Fui eu quem mandou bloquear seu cartão. Rodrigo acabou de avisar que ninguém tem permissão para se envolver nos assuntos dele com a Luísa. Caso contrário, o Grupo Lopes sofrerá consequências irreparáveis. Se você precisar comprar qualquer coisa nesse período, fale comigo. Eu resolvo.]
Bruna e Luísa ficaram sem palavras.
Bruna conduziu o carro até o estacionamento e, num último suspiro de esperança, tentou:
— Se eu disser que isso é só uma pegadinha do meu pai... você acredita?
Bruna queria dizer que ele não a derrubaria. Mas lembrou-se de que bastou uma ordem para o cartão dela ser congelado. Como poderia se contradizer?
Ela sabia muito bem que, se Rodrigo decidisse ir até o fim, a empresa de entretenimento que ela administrava não resistiria três dias, e o Grupo Lopes seria esmagado sem ter como revidar. Aquele homem detinha um poder imenso, sua vontade era sentença.
— A partir de hoje, a gente conversa como antes, fala besteira, desabafa, só isso. — Disse Luísa, consciente do que Rodrigo era capaz, escolhendo, assim, enfrentar tudo sozinha. — No máximo, quando eu estiver ocupada, você pode me ajudar a buscar o Cacá. Mas nada além disso.
— Mas... — Foi a primeira vez que Bruna se sentiu impotente, e a sensação a sufocava.
— Comporte-se. — Luísa estalou o dedo contra a testa dela.
— Então me diga ao menos qual é a dificuldade. — Bruna não pensava em abandoná-la sem saber ao menos o básico. — Por que tanta pressa em vender o anel?
— O estado da minha mãe piorou de repente, ela precisa de uma cirurgia. — Luísa respondeu sem esconder nada. — O custo mínimo é de quinhentos mil.

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