Luísa voltou o olhar para ela de lado.
A boca de Bruna não parava, despejando palavras sem pausa, os olhos focados na estrada à frente. Ao final, ela teve o cuidado de pedir a opinião de Luísa:
— Quero saber se você consegue aceitar.
— Essa "colecionadora particular" é você, não é? — Luísa a desmascarou sem hesitar, embora um calor lhe subisse ao peito, confortada por ter uma amiga assim.
— Hã? — Bruna sequer vacilou.
Luísa não queria envolvê-la ainda mais em toda aquela situação.
— O Rodrigo me disse que, enquanto ele não der o aval, ninguém ousará comprar esse anel. No círculo, a única que aceitaria se indispor com ele para me ajudar é você.
— Você é boba ou o quê? — Bruna retrucou, dura, sem admitir nada. — Os outros podem não querer peitar ele, mas os inimigos dele certamente não se importariam.
Mal terminou de falar, o celular de Bruna vibrou, recebendo uma enxurrada de mensagens.
Cada uma delas informava que seu cartão tinha sido bloqueado.
Além disso, veio mais uma mensagem, com o remetente salvo como "Pai Canalha":
[Fui eu quem mandou bloquear seu cartão. Rodrigo acabou de avisar que ninguém tem permissão para se envolver nos assuntos dele com a Luísa. Caso contrário, o Grupo Lopes sofrerá consequências irreparáveis. Se você precisar comprar qualquer coisa nesse período, fale comigo. Eu resolvo.]
Bruna e Luísa ficaram sem palavras.
Bruna conduziu o carro até o estacionamento e, num último suspiro de esperança, tentou:
— Se eu disser que isso é só uma pegadinha do meu pai... você acredita?


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