— Será que foi uma parceria que fracassou e ele fugiu com o dinheiro? — Nádia não esperava que Luísa tivesse acertado tão perto.
— Se fosse isso, você já teria dito. — A cabeça de Luísa funcionava bem. — Não precisa esconder.
Nádia levou a mão à testa.
Tudo bem.
A garota ficou mais esperta, já não dava para enganá-la.
— O nome dele é Juliano Siqueira. Foi o único amor que sua mãe teve. — Nádia pensou bem antes de falar. — Eles namoraram por cinco anos. No fim, ele traiu sua mãe e se casou com outra mulher.
— Não é à toa que o olhar dele sempre fica carregado de tristeza quando vê a minha mãe. — Luísa não demonstrou surpresa alguma.
— Tristeza, uma ova! — Nádia guardava um ressentimento profundo. Se não fosse por ele, Dulce não teria sido forçada a deixar a sua cidade natal. — Ele só percebeu que a mulher com quem se casou não chega aos pés da sua mãe e se arrependeu.
Ao ouvir aquilo, Luísa franziu levemente a testa. A aparência dele não parecia a de alguém assim. Mas o coração humano não é algo que se leia pelo rosto.
— Resumindo, quanto mais longe dele você ficar, melhor. — O desprezo de Nádia era evidente. — Um homem desses não tem direito nem de ver a Dulce.
— Certo. — Luísa concordou.
Depois disso, as duas conversaram sobre outras coisas.
Nádia não queria que ela continuasse investigando o passado de Dulce, e Luísa não queria falar de Rodrigo. As duas falaram apenas de suas situações atuais e de outros assuntos.
Logo, terminaram de comer.
Foram juntas ao hospital ver Dulce. Ela despertaria em breve, e Luísa queria estar lá quando isso acontecesse.
Mas antes de vê-la, viram Juliano caminhando em direção ao quarto dela, acompanhado do assistente.
Luísa ia falar, mas Nádia avançou rapidamente. No instante em que Juliano estava prestes a entrar, ela o puxou para fora.
— O que você está fazendo aqui? Este lugar não é para você.
Juliano parou. Quando viu quem o segurava, a frieza em seus olhos se dissipou.

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