Luísa ficou confusa. Nádia era tão medrosa assim?
— Vou conversar com ele lá fora, para cortar de vez qualquer esperança dele em relação à sua mãe. — Nádia tentou se justificar. — Você entra primeiro.
Luísa concordou.
Alguns minutos depois, Nádia e Juliano chegaram ao corredor.
Nádia estava visivelmente impaciente com ele, mas, como o homem tinha um ar intimidante e ela não queria que ele falasse demais diante de Luísa, acabou cedendo.
— Se tem algo para falar, fala logo.
— Luísa é filha minha com a Dulce? — Ao perguntar isso, Juliano a encarou diretamente, o corpo emanando uma pressão quase palpável.
— Você só pode estar delirando! — Nádia respondeu sem pensar, cheia de ódio e desprezo por ele. — Esqueceu que naquela época você mandou a Dulce ir ao hospital abortar a criança? Ela quase morreu na mesa de cirurgia.
A mão que pendia ao lado do corpo dele enrijeceu por um instante. As lembranças do passado vieram à tona, deixando-o momentaneamente perdido em seus pensamentos.
— A Dulce não quer te ver. Nem antes, nem agora. — Nádia disse, dispensando-o. — Se não quiser que ela, recém-acordada, passe mal de tanta raiva, não volte aqui.
— Ela se parece muito comigo. — Juliano insistiu.
— Eu também pareço com o teu pai! Quer me chamar de papai agora? — Nádia não se conteve.
Os olhos dele escureceram. Nádia engoliu em seco, um pouco assustada.
— Estou fazendo um teste de DNA com ela. — Juliano falou com calma, sem irritação, mas com a mesma elegância fria que vinha de anos de maturidade. — Logo saberei se é minha filha.
— Então, espere sentado. — Nádia largou a frase e saiu.
— Pela reação dela, Luísa provavelmente não é sua filha. — Observando-a se afastar, o assistente murmurou ao lado dele.
— Dê um jeito de conseguir uma amostra do DNA da Luísa. Se não conseguir, falsifique uma para blefar com ela. — Os olhos de Juliano estavam negros como tinta.
— Sim, senhor.

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