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Ela Pediu o Divórcio com o Bebê nos Braços — e Ele Surta! romance Capítulo 41

— Você não tinha pavor de sentir dor? — Perguntou Eduardo.

Ele se lembrava bem de quando ela torceu o tornozelo durante um ensaio de dança e foi trazida nos braços por Rodrigo, repetindo várias vezes que doía, quase chorando. A dor de agora, porém, era muito pior e ela permanecia calada.

— Antes ficou no passado. Agora é agora. — Respondeu Luísa, sem entrar em detalhes. Depois de desinfetar o ferimento, ela mesma aplicou a pomada e pegou uma gaze para começar a enfaixar. — Vamos continuar falando sobre o estado da minha mãe.

Eduardo observou o esforço teimoso com que ela tentava se manter firme. No fim, tirou a gaze das mãos dela e passou a enfaixar o ferimento com movimentos cuidadosos, voltas e mais voltas ao redor da palma machucada. Era um gesto simples, mas Luísa, sem perceber, ficou por alguns segundos perdida olhando para ele.

Quando terminou, o celular do doutor vibrou com uma notificação. Era uma mensagem de Rodrigo: [Seja cuidadoso ao enfaixar o ferimento. Quando terminar, dê a ela o remédio para cicatrizes.]

Eduardo respondeu: [Certo.]

Ao ver que o médico havia lido, Rodrigo guardou o telefone sem acrescentar nada. Tatiana observava o semblante dele, era impossível decifrar se estava irritado, preocupado ou ambos. Ela temia que ele, como da última vez, a culpasse por ter ido atrás de Luísa, então falou:

— Rodrigo, eu sei que você não gosta que eu procure a Lulu, mas eu realmente não consigo ficar parada vendo a tia naquela situação.

— O machucado ainda dói? — Rodrigo desviou o assunto.

— Dói. — Respondeu ela, com um aceno sentido e o rosto com uma fragilidade calculada.

A mão larga de Rodrigo pousou sobre o joelho enfaixado, seu olhar foi atraído por aquelas camadas de gaze. O polegar, involuntariamente, roçou o curativo e, por algum motivo, a imagem da palma ensanguentada de Luísa atravessou sua mente como um relâmpago.

— O médico disse que não é nada sério. — Comentou Tatiana, apertando a mão dele. — Você não precisa se preocupar assim.

Rodrigo retirou sua mão devagar, com discrição, e levantou a mão para ajeitar um fio de cabelo caído sobre o rosto dela.

— Descanse bem nos próximos dias. Se precisar de qualquer coisa, me ligue.

— Você não vai voltar comigo? — A expressão de Tatiana vacilou.

— Ainda há coisas a resolver no hospital e na empresa. — A voz dele era baixa, estável. — Quando terminar, eu vou te encontrar.

— O plano cirúrgico está definido? — Perguntou ele, sentando-se.

Seu olhar pousou por um instante no cesto de lixo ao lado da mesa. Lá estavam gazes manchadas, bolas de algodão avermelhadas, pingos de sangue secos no fundo branco. As sobrancelhas dele franziram levemente.

— Sim. Aqui está. — O doutor entregou o documento.

Rodrigo leu com atenção cada linha, cada detalhe, só depois devolvendo o papel. Os minutos foram passando. E ele não se levantou.

Eduardo começou a sentir o peso daquela presença silenciosa, como se cada segundo aumentasse a pressão do ar dentro do consultório. Criou coragem e perguntou:

— Há algum problema com o plano cirúrgico?

— O ferimento dela é grave? — A voz de Rodrigo era indecifrável. Difícil saber se era preocupação ou se queria confirmar se o "dez vezes mais" havia sido cumprido.

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