Eduardo não sabia ao certo o que ele queria dizer com aquela pergunta, então ponderou um instante e escolheu as palavras com cuidado ao responder à verdade:
— É relativamente grave. Se o corte tivesse sido em outra região, seria preciso dar vários pontos.
O olhar de Rodrigo, profundo como um poço, pousou sobre ele. Por fora, Eduardo manteve a expressão de profissional experiente. Por dentro, estava em completo desespero.
— Faça a cirurgia com todo o rigor — Disse Rodrigo, sem acrescentar nada mais. Levantou-se e, ao passar os olhos pelos instrumentos médicos sobre a bancada, completou. — Não quero que o que aconteceu hoje se repita.
— Entendido. — Respondeu Eduardo prontamente, recolhendo todos os instrumentos.
— O que ela está fazendo? — Ao sair do hospital, Rodrigo ligou para o seu assistente.
— Procurando um lugar para morar. — Informou o assistente Pedro.
O olhar de Rodrigo escureceu. Depois de dar algumas instruções, desligou. Pedro tratou de cumpri-las imediatamente.
Luísa não fazia a menor ideia de que cada passo seu estava sob a vigilância dos homens de Rodrigo. Depois de juntar o dinheiro para a cirurgia da mãe, ela saiu em busca de um apartamento. Por sorte, o céu favorece quem insiste e, ela encontrou um lugar com um preço razoável, boa segurança e não muito longe da escola do Cacá.
Depois de verificar tudo, assinou o contrato com o proprietário e pagou três meses de aluguel adiantados, mais o depósito. Passou metade do dia limpando o apartamento, organizando suas coisas uma a uma.
Quando enfim terminou, enviou uma mensagem para Rodrigo: [Residencial Bosque do Bordo, Edifício 1, Apartamento 1802. Traga as coisas do Cacá para cá.]
Ele não respondeu. Luísa também não insistiu.
Rodrigo deu alguns passos em direção à saída, mas parou ao ver a cozinha impecavelmente limpa.
Luísa não sabia cozinhar. Isso, ele tinha plena certeza.
— Você pode ir embora. — Disse ela ao sair do quarto, vendo-o parado na sala. Era um claro convite para retirar-se.
— Para garantir que o Cacá viva em segurança até a idade adulta, cuidarei para que todas as refeições dele sejam preparadas por profissionais. — Declarou Rodrigo, com frieza calculada. — Peço, portanto, que a Srta. Luísa, não lhe dê qualquer coisa inadequada para comer.
E sem lhe dar tempo de responder, virou-se e saiu com os homens que o acompanhavam. Luísa fechou a porta com força. As palavras dele não lhe afetaram. Ele achava que conhecia tudo sobre ela, mas não sabia que ela sabia cozinhar, e muito bem.
No começo do casamento, ela, empolgada, preparou uma refeição para ele. Mas, por azar, acabou cortando o dedo. Desde então, ele nunca mais a deixou entrar na cozinha. Na mente de Rodrigo, ela era alguém incapaz de cozinhar.

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