No entanto...
— Tem uma coisa que eu sempre quis entender. — Disse Henrique, acomodando-se na cadeira ao lado, olhar cheio de curiosidade. — Seu irmão nunca deixa ninguém saber de quem gosta, como se temesse que você usasse essa pessoa contra ele. Mas você é justamente o contrário. Parece até que tem medo de que o mundo não saiba o quanto você gosta da Luísa.
Rodrigo encarou o céu lá fora, pouco a pouco engolido pela escuridão, e nem tentou disfarçar os próprios pensamentos:
— Gostar de alguém não deveria ser algo que todos devem saber?
Henrique ficou sem palavras.
— Então você ainda gosta da Luísa?
— Eu não perco tempo com quem não importa — Rodrigo respondeu, indiretamente.
— Se gosta, por que diabos pediu o divórcio? — Henrique insistiu.
Rodrigo lançou-lhe um olhar de soslaio, sem intenção de responder.
Henrique não se deu por vencido e continuou fofocando:
— Tatiana é assim tão importante para você? Importante o suficiente para você abrir mão da pessoa que mimou por tantos anos?
— Sem ela, eu não seria quem sou hoje. — Rodrigo falou com naturalidade. — E muito menos teria existido a Luísa que pude mimar.
— Mas o que foi que ela fez? Salvou sua vida? Tirou você da escuridão da adolescência? — Henrique estava genuinamente intrigado. — Ou foi algo ainda maior?
Rodrigo permaneceu calado.
Henrique continuou encarando, determinado a arrancar alguma resposta.
— E a aliança? — Rodrigo mudou de assunto abruptamente.
Henrique logo puxou do bolso uma caixa de veludo caríssima e entregou-lhe. Rodrigo pegou, levantou-se e saiu sem mais uma palavra.
Assim que entrou no carro, recebeu uma ligação de casa informando que Cacá já havia sido buscado por Luísa.
— Para o Residencial Bosque do Bordo. — Ordenou ao motorista.
Meia hora depois, Luísa chegou com Cacá ao novo lar. Ela havia passado na confeitaria e comprado o bolinho preferido dele. Acendeu a velinha e o tomou nos braços.

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