— A senha da porta é o seu aniversário. — Disse Rodrigo, a voz suave e gentil. — Lá dentro está tudo arrumado exatamente como o seu antigo lar.
— Lar é onde a mamãe estiver. — Cacá respondeu com firmeza.
As sobrancelhas de Rodrigo ergueram-se levemente, e seu olhar tranquilo pousou sobre Luísa. Ela se sentiu extremamente desconfortável sob aquele olhar, puxou a cadeira da mesa de jantar e sentou-se, decretando a expulsão sem rodeios:
— Se não houver mais nada, por favor, vá embora e não atrapalhe nossa refeição.
— Você não tinha acabado de comer antes de voltar? Por que está comendo de novo? — Perguntou Rodrigo ao menino ao seu lado.
— A comida da mamãe é gostosa. — Cacá respondeu num tom doce.
O olhar de Rodrigo percorreu os pratos sobre a mesa. Realmente tinham boa aparência, mas ainda assim:
— Por mais gostoso que seja, não exagere. Cuidado para não passar mal.
A mão de Luísa apertou repentinamente os talheres. Afinal, ele estava insinuando o quê?
— Não é bom comer muito à noite. — Completou ele, percebendo o desagrado dela. — Ouviu?
Cacá assentiu com a cabeça, mas continuou comendo sem parar.
Rodrigo permaneceu ali até que os dois terminassem a refeição.
Depois de levar Cacá para o quarto, onde ele deveria estudar, sentou-se no sofá e ficou observando Luísa recolher a louça, levá-la até a pia e, para sua surpresa, abrir a torneira e começar a lavar prato por prato. Quando viu as mãos finas e brancas dela mergulharem na água, os dedos tocando o óleo nos pratos, a sobrancelha bem desenhada de Rodrigo franziu-se imperceptivelmente. Aquelas mãos deveriam segurar pincéis, deslizar pelas teclas de um piano. Não lavar pratos.
Ele ficou ali observando-a lavar louça por todo o tempo.
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