A situação de dez anos atrás parecia ter se invertido completamente.
Aquela Amélia, que usava tênis da Nika, agora estava deslumbrante.
E a antiga Senhorita Valentina se tornara comum e medíocre.
Amélia abriu um sorriso.
— Há quanto tempo, Valentina. Não esperava que você viesse.
— Eu tive que vir.
Valentina estava calma.
— Você me procurou, direta e indiretamente, três ou quatro vezes. Se eu não viesse te ver, provavelmente seria arrastada à força até aqui.
Desde o telefonema de Zuleica até a mensagem de Sávio, tudo fora obra de Amélia.
Se o objetivo era vê-la, então, ela estava ali.
Amélia ficou em silêncio por alguns segundos, depois sorriu.
— Valentina, não pense demais. Só ouvi dizer que você também teve um filho, então passei para vê-lo. Afinal, ele é como um sobrinho para mim. Durante todos esses anos, no fundo do meu coração, sempre te considerei minha irmã. Afinal, você passou mais tempo com meus pais do que eu, a filha biológica deles.
— Então, quando soube que você também estava na Cidade Y, pensei em te convidar para jantar, tomar uma bebida. — Amélia ergueu o copo em sua direção. — Apenas uma bebida.
— Amélia, não dê tanta moral para ela.
— É isso mesmo. Ela roubou sua posição por tantos anos. É ela quem te deve, deveria ser ela a te oferecer uma bebida como pedido de desculpas.
...
— Ei, Plínio, você não costumava cortejar a Valentina? Como se sente agora, vendo a sua amada?
O homem alvo da provocação ficou com uma expressão sombria, como se tivesse sido humilhado.
— Cale a boca. Isso foi há tantos anos.
— Agora sente vergonha? Antes, você não fez uma faixa enorme para se declarar, dizendo que seguiria Valentina até a morte? Agora que viu que a herdeira do Grupo Pacheco mudou, imediatamente passou a seguir Amélia...?
Risadas esparsas ecoaram.
O rosto do homem se fechou.
Ansioso para recuperar seu orgulho às custas de Valentina, ele olhou para ela com frieza.
— Você. Três copos. Um brinde a Amélia. Peça desculpas e diga que errou. Diga que não deveria ter roubado a posição dela, nem os pais dela.
Valentina olhou para ele com indiferença.
Sendo encarado por ela, o homem ficou ainda mais frio.
— O quê, você não acha que errou? Já é um favor não te fazer ajoelhar para pedir desculpas. Não seja ingrata.



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