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Ele Me Chamou de Estéril, Mas Eu Carregava o Herdeiro do Magnata romance Capítulo 846

Alice brincava em seu pequeno império, soltando gargalhadas cristalinas de tempos em tempos.

Olhando para aquela cena, Lavínia se lembrou da própria infância.

Ela percebeu que nunca, em toda a sua vida, havia rido com tanta liberdade e abandono.

Quando criança, não ousava nem caminhar com passos pesados por medo de ser repreendida pelo pai, muito menos rir daquele jeito.

Uma onda de inveja — e profundo ressentimento — em relação àquela menina tomou conta de seu peito.

Como aquele frasco de ácido falhara? Será que a criança simplesmente não gostava de brincar com bolhas?

Que desperdício.

Giovanna interrompeu seus pensamentos com uma voz que cortava o ar como vidro moído:

— Por que você insiste em usar métodos tão sujos para ferir os outros? Que grande inimizade existe entre nós?

O coração de Lavínia parou por um segundo, mas ela baixou os olhos, forçando uma expressão de confusão inocente.

— Do que você está falando, Giovanna?

Giovanna colocou a máquina de bolhas em cima da mesa com um baque seco.

— Lavínia, você é uma psicopata. Usar um método tão repulsivo contra uma criança.

Lavínia travou a mandíbula, recusando-se a soltar uma palavra sequer.

Enquanto não confessasse, Giovanna não teria como provar nada.

Ao ver a expressão obstinada da garota, Giovanna soltou uma risada ríspida.

— Se estou aqui interrogando você, é porque já levantei absolutamente todas as provas contra você. Eu estava prestes a chamar a polícia... mas percebi que seria um castigo muito leve para o que você tentou fazer.

Sem aviso, Giovanna pegou um copo cheio que estava na mesa e atirou o líquido violentamente contra o rosto de Lavínia.

Lavínia soltou um grito ensurdecedor.

— AAAAAAH!

Ela recuou, tropeçando, agarrando o rosto em puro pânico, tentando desesperadamente limpar o líquido com as mangas.

— Não! Meu rosto não! Meu rosto!

Ela tinha certeza de que Giovanna havia jogado o próprio ácido contra ela, e seu corpo inteiro tremia em espasmos de terror absoluto.

Mas, após alguns segundos de histeria, percebeu que não sentia nenhuma queimação. O líquido era apenas água gelada.

Se todos soubessem que Lavínia era uma assassina frustrada de crianças, a Sra. Goulart, que idolatrava as aparências, jamais forçaria Gustavo a ter encontros com ela novamente. Dessa forma, ela não só puniria Lavínia, mas cortaria o mal pela raiz.

Além disso, se ela chamasse a polícia, forçaria um conflito jurídico direto contra a Família Lopes, o que causaria dores de cabeça políticas para Gustavo.

Mas se Lavínia admitisse a culpa publicamente, a vergonha recairia sobre ela e sobre o clã Lopes. Os próprios pais, furiosos com a humilhação pública, encarregariam-se de castigá-la.

— Não! — Lavínia reagiu em desespero instintivo.

Se aquilo viesse a público, seria o mesmo que matá-la socialmente.

Seu pai e sua madrasta iriam esfolá-la viva por arruinar a reputação da família.

— Eu não posso me desculpar publicamente.

O semblante de Giovanna permaneceu inabalável, gélido.

— Então resolveremos isso nos tribunais. E, só para deixar claro, farei questão de tornar público cada detalhe do processo. Você nem sequer terá a chance de pedir desculpas.

Sem saída, oprimida pelo terror e pela frieza cortante de Giovanna, Lavínia finalmente cedeu, concordando em publicar a confissão.

Tendo terminado, Giovanna ordenou à babá que escoltasse a garota até a saída.

Lavínia arrastou-se para fora do apartamento com as pernas trêmulas. Assim que a porta se fechou, ela desabou no corredor. Agachada no chão, chorou convulsivamente até quase perder os sentidos, humilhada e destruída.

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