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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 119

Naquele soco, a Davia não poupou força alguma.

Henrique, pego totalmente desprevenido, teve o rosto virado pelo impacto e cambaleou dois passos para trás.

O corredor entrou em alvoroço; pacientes e familiares que passavam se afastaram, assustados.

Henrique limpou o sangue no canto da boca com as costas da mão, encarando a Davia com um olhar sombrio:

— Você ficou louca?

— Eu tenho motivos para enlouquecer, e você tem a cara de pau de perguntar?

A Davia sorriu com escárnio:

— Henrique, esse soco foi pela Isabela. A sua esposa sangrando lá embaixo, e você fazendo o quê lá em cima? Dando mamadeira ou cantando canção de ninar para aquela outra mulher?

— Lave a sua boca. — Henrique continha a fúria. — Isso é entre mim e a Isabela, não é da sua conta. Onde ela está? Como ela está?

A Davia estava com os olhos vermelhos, morrendo de vontade de completar com um chute.

Pouco antes, a Ruana tinha sido vaga no telefone, dizendo apenas que a Isabela estava grávida e tinha perdido muito sangue.

Ela continuou bloqueando a porta:

— Você ainda tem coragem de perguntar? Onde diabos você estava quando a Ruana ligou? Se eu fosse você, já teria procurado uma corda para me enforcar na porta do hospital como pedido de desculpas!

— Davia! — A paciência do Henrique se esgotou. Ele agarrou o colarinho da Davia e a prensou contra a parede. — Eu perguntei como ela está! Sai da frente!

A Davia esticou o pescoço e gritou de volta:

— Não saio! Se tiver coragem, me mata aqui mesmo!

A briga atraiu os seguranças.

Nesse momento, a porta da sala de observação foi aberta.

Gabriel estava parado na entrada. Tirou a máscara, revelando aquele rosto impassível.

Ele olhou para a Davia, que estava sendo segurada pelo colarinho, e depois para o Henrique, que exalava hostilidade.

— Isto é um hospital. Se querem brigar, vão para o necrotério. É espaçoso e lá ninguém vai se importar com vocês.

Henrique soltou a Davia e olhou para o Gabriel, reconhecendo-o como o médico que vira no aeroporto e na Baía do Sul.

— Cadê a Isabela?

— Lá dentro. — Gabriel virou o corpo, dando passagem. — Acabou de acordar.

Henrique estacou:

— ... Você está grávida?

Ele fixou o olhar no ventre dela, que ainda estava plano, sem demonstrar qualquer sinal de vida.

Os dedos do Henrique se contraíram.

Ele ficou parado ali, sem qualquer sinal da alegria de quem vai ser pai; pelo contrário, suas sobrancelhas franziram-se levemente.

Embora ultimamente tivesse pensado seriamente em ter um filho, agora que a realidade estava à sua frente, como um fato consumado, aquelas memórias sombrias sobre a paternidade emergiram.

Era um pântano de lama onde ele estava atolado; não só não conseguira se limpar, como continuava afundando.

Ele não estava preparado.

— Isabela, sobre isso, nós... — Henrique fez uma pausa, tentando escolher as palavras. — Agora não é o momento para falar disso.

— Por que não é o momento? Porque a saúde da Teresa é frágil e você tem medo de que a minha gravidez a perturbe?

— Será que você pode não falar dela numa hora dessas?

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