Naquele soco, a Davia não poupou força alguma.
Henrique, pego totalmente desprevenido, teve o rosto virado pelo impacto e cambaleou dois passos para trás.
O corredor entrou em alvoroço; pacientes e familiares que passavam se afastaram, assustados.
Henrique limpou o sangue no canto da boca com as costas da mão, encarando a Davia com um olhar sombrio:
— Você ficou louca?
— Eu tenho motivos para enlouquecer, e você tem a cara de pau de perguntar?
A Davia sorriu com escárnio:
— Henrique, esse soco foi pela Isabela. A sua esposa sangrando lá embaixo, e você fazendo o quê lá em cima? Dando mamadeira ou cantando canção de ninar para aquela outra mulher?
— Lave a sua boca. — Henrique continha a fúria. — Isso é entre mim e a Isabela, não é da sua conta. Onde ela está? Como ela está?
A Davia estava com os olhos vermelhos, morrendo de vontade de completar com um chute.
Pouco antes, a Ruana tinha sido vaga no telefone, dizendo apenas que a Isabela estava grávida e tinha perdido muito sangue.
Ela continuou bloqueando a porta:
— Você ainda tem coragem de perguntar? Onde diabos você estava quando a Ruana ligou? Se eu fosse você, já teria procurado uma corda para me enforcar na porta do hospital como pedido de desculpas!
— Davia! — A paciência do Henrique se esgotou. Ele agarrou o colarinho da Davia e a prensou contra a parede. — Eu perguntei como ela está! Sai da frente!
A Davia esticou o pescoço e gritou de volta:
— Não saio! Se tiver coragem, me mata aqui mesmo!
A briga atraiu os seguranças.
Nesse momento, a porta da sala de observação foi aberta.
Gabriel estava parado na entrada. Tirou a máscara, revelando aquele rosto impassível.
Ele olhou para a Davia, que estava sendo segurada pelo colarinho, e depois para o Henrique, que exalava hostilidade.
— Isto é um hospital. Se querem brigar, vão para o necrotério. É espaçoso e lá ninguém vai se importar com vocês.
Henrique soltou a Davia e olhou para o Gabriel, reconhecendo-o como o médico que vira no aeroporto e na Baía do Sul.
— Cadê a Isabela?
— Lá dentro. — Gabriel virou o corpo, dando passagem. — Acabou de acordar.


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