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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 156

— Não precisam subir, padrinho, madrinha, podem voltar! Eu... eu também já vou!

Isabela amparou-a no hall de entrada enquanto ela trocava os sapatos e pegou a chave do carro dela:

— Chega, não force a barra. Eu dirijo.

— Você consegue? — Lúcia olhou com certa preocupação para a barriga dela.

— Tudo bem, mãe, o carro dela é fácil de guiar. Vou devagar.

Após se despedir dos pais, Isabela dirigiu rumo à Alameda das Esmeraldas.

Primeiro iria para casa, depois chamaria um motorista de aplicativo para essa criatura.

A Davia estava jogada no banco do passageiro, cantarolando algo ininteligível entre resmungos.

— Ah, Isabela... — Ela virou a cabeça de repente, olhando para Isabela com os olhos embriagados. — Você pensou bem mesmo? Ficar com o filho e descartar o pai?

— Pensei.

— No futuro... no futuro, quando a criança tiver febre de madrugada, você vai ter que correr sozinha para o hospital, ir às reuniões de pais... os outros vão ter pai, o seu filho não. Você não tem medo?

Isabela apertou os lábios.

Na verdade, ela tinha muito medo.

Pesquisou inúmeros posts sobre mães solo na internet, e todos giravam em torno de colapsos noturnos e desamparo.

— De que adianta ter medo? — Isabela olhou de soslaio para ela. — Qual a diferença entre uma viuvez funcional, onde o marido só contribui com o esperma, e ser mãe solo? Pelo menos agora, não preciso mais servir a um "rei".

— Boa! Isso aí!

A Davia, sem saber se tinha realmente entendido, levantou o polegar com a língua enrolada.

— Isabela, você é foda! Se você vai ser mãe solo, então eu vou ser... ser a madrinha solo! Tenho dinheiro, tenho amor, a criança vai crescer bem do mesmo jeito! Vamos crescer e ficar fortes, rumo à glória!

Isabela riu da situação:

— Primeiro desenrola a língua, depois você fala.

Ao chegarem no prédio, Isabela estacionou, deu a volta e arrastou a Davia para fora.

Com mais de um metro e oitenta de altura, bêbada, ela parecia um peso morto. Isabela não ousava fazer muita força, com medo de distender a barriga, e gastou uma energia enorme para conseguir tirá-la do carro.

Antes mesmo de chegarem à entrada do corredor, a luz do sensor acendeu.

Alguém empurrou a porta saindo de dentro.

Isabela estava de cabeça baixa lutando com o peso da Davia, não olhou o caminho e quase esbarrou na pessoa.

— Perdão, perdão.

Quando Isabela levantou a cabeça, viu o Gabriel parado à sua frente, segurando um saco de lixo.

A Davia resmungou de forma confusa:

— Isabela... vamos trocar por... por um desses... esse aqui parece que tem... tem rins bons...

A vontade de cometer um crime contra a amiga atingiu o ápice.

Isabela deu um tapa forte na Davia e explicou para Gabriel:

— Desculpe, ela bebeu demais, não tem filtro nenhum.

Gabriel não se importou e ajudou Isabela a levá-la para dentro do prédio.

Isabela sentiu-se um pouco constrangida e tentou puxar assunto.

— Dr. Gabriel, parece que tenho te visto aqui todos os dias ultimamente?

Antigamente, ele dizia que era a casa antiga da avó e vinha apenas ocasionalmente para buscar paz.

Mas desde que ela se mudou, exceto pelos dias em que ficou internada, Gabriel parecia ter criado raízes ali, saindo cedo e voltando tarde, com uma rotina mais regular que a dos moradores fixos.

— Sim.

Ele respondeu de forma branda.

— Pensando que no andar de cima mora uma gestante em situação instável e sozinha, ossos do ofício... se não ficar por perto, não durmo tranquilo.

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