O dia seguinte amanheceu ensolarado, e a Lúcia chegou cedo.
— Tome enquanto está quente.
Ela empurrou uma tigela de sopa de peixe com tofu para a frente da Isabela e foi para a varanda recolher as roupas.
— Olha só você, menina. A casa tem espaço de sobra, mas você insiste em fugir para cá. Aqui nem elevador tem, subir e descer é tão cansativo... e se...
Ela interrompeu a própria fala, bateu na madeira três vezes dizendo "isola", e mudou o rumo da reclamação:
— Quando você vai pegar a certidão do divórcio?
Isabela segurava a tigela, tomando a sopa em pequenos goles, e respondeu vagamente:
— Daqui a uns dezoito ou dezenove dias. O Dr. André vai entrar em contato comigo.
Enquanto conversavam, bateram à porta.
Isabela e a Lúcia pararam ao mesmo tempo.
— Quem será? A Davia não tem a chave?
— Deve ser entrega — palpitou Isabela. — Provavelmente ela comprou mais alguma tranqueira.
A Lúcia foi abrir. Quando a porta se abriu, havia um homem alto e elegante parado do lado de fora.
De aparência gentil, bem vestido, segurando duas caixas com cerejas e morangos.
Não parecia nem de longe um entregador.
A Lúcia travou na porta:
— Quem você procura?
O olhar do Gabriel sondou o interior da casa, pousando na Isabela, que estava de cabeça baixa tomando sopa. Ele disse educadamente:
— Olá, senhora. Procuro a Isabela.
Ao ouvir a voz, Isabela levou um susto e levantou-se depressa:
— O que você está fazendo aqui? Não foi trabalhar?
Gabriel assentiu com um sorriso:
— Estou de folga hoje. Um amigo me mandou algumas frutas, eu não conseguiria comer tudo sozinho, então trouxe para você provar.
Falava como se os dois já tivessem uma familiaridade que permitisse visitas casuais.
A Lúcia o avaliou com desconfiança:
— Isabela, é seu amigo?
Isabela ainda não tinha pensado em como apresentá-lo, mas o Gabriel tomou a frente.

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