Departamento de Trânsito Municipal.
Henrique empurrou a porta do escritório, segurando um relatório de análise de acidentes recém-concluído, com passos firmes e rápidos.
Várias pessoas que estavam reunidas cochichando, ao vê-lo entrar, rapidamente baixaram as cabeças, fingindo ler os processos.
— Henrique.
— O Henrique voltou.
Henrique jogou a chave do carro sobre a mesa e pendurou o casaco no encosto da cadeira.
A noite não fora tranquila.
Teresa estava instalada, mas ele não teve tempo nem de fechar os olhos. Havia uma irritação difícil de esconder em seu semblante.
Assim que se sentou, a sensação de estar sendo observado voltou.
Ele ergueu os olhos e lançou um olhar frio para o Xavier, que estava mais próximo.
— Estão todos desocupados?
Xavier desviou o olhar, gaguejou por um tempo, mas não conseguiu soltar uma palavra.
João aproximou-se, com um sorriso malicioso no rosto.
— Muito bem, Henrique, vai se fazer de desentendido? Embora nossa disciplina seja rigorosa, o chefe teria que te dar uma medalha por essa propaganda de imagem.
Henrique franziu a testa levemente, a impaciência estampada no rosto.
— De que bobagem você está falando?
— Você não sabe mesmo?
João enfiou a tela do celular na frente dele.
— Então dá uma olhada rápida. A internet inteira está comentando: "O policial mais gato protegendo o momento mais lindo na neve". Tsc, tsc.
Henrique olhou e a primeira coisa que viu foi aquela foto.
Hashtags como #PolicialMaisGatoCarregandoPrincesa e #NamoradoDosSonhosDaPoliciaDeNuvalia proliferavam, junto com um monte de tópicos absurdos.
Embaixo, havia quase dez mil comentários, todos delirando com o casal.
Henrique encarou o cordão vermelho na foto, seus dedos tamborilando inconscientemente na mesa, num ritmo descompassado.
Xavier, vendo que alguém tinha quebrado o gelo, animou-se para fofocar:
— Henrique, a patroa não te fez dormir no sofá, né?
Quando Henrique estava prestes a mandar o Xavier sair dali, ouviu o sem-noção completar:
— O pessoal aqui da equipe diz que a Isabela é muito compreensiva, com certeza entende que foi uma situação especial. Além disso, encontrei a Isabela hoje de manhã e ela parecia... bem normal.
Aos olhos do pessoal da equipe, a Isabela era a fã número um do Henrique.
Antigamente, a Isabela vinha sempre trazer comida, sorridente, linda, chamando-o de "meu Henrique" a todo momento. Era famosa por ser grudenta.
Henrique franziu o cenho, o olhar escurecendo.
— Bip, bip —
A mão de Isabela tremeu e, por reflexo, ela enfiou o bracelete no pulso.
Embora tivesse decidido pelo divórcio, ser flagrada vendendo "patrimônio comum" naquele momento só traria complicações desnecessárias.
A porta se abriu e Henrique entrou.
Os olhares se cruzaram.
Isabela ficou um pouco surpresa:
— Não disse que não voltaria?
— Terminei o trabalho.
Henrique trocou os sapatos e seu olhar pousou no pote de macarrão instantâneo comido pela metade na mesa de centro.
— Só comeu isso?
Isabela manteve a expressão indiferente:
— Preguiça de cozinhar, comi qualquer coisa.
O homem franziu a testa, caminhou até lá e, sem dizer nada, pegou o pote de macarrão e jogou tudo, sopa e massa, no lixo.
Enquanto dobrava as mangas da camisa, ele se dirigiu à cozinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci?