Andreia achou muito cômico. Quando se casou e entrou para a Família Madeira, ela só chegou a ver os modelos novos da estação no primeiro trimestre. Depois disso, sem nenhum motivo aparente, a mãe de Osvaldo retirou esse privilégio e mandou todas as roupas para o Solar.
Os modelos novos de todo trimestre iam para o Solar.
Ela olhou para ele e puxou o canto da boca.
— Quando foi que eu usei roupas novas?
Osvaldo paralisou no lugar.
Ele nunca tinha perguntado, nunca soube para onde as roupas foram.
— Você... — Ele abriu a boca: — Eu... como você...
A esposa dele não recebeu o tratamento que deveria.
Mas o que ele tinha feito nesses anos?
Não era à toa que Andreia queria ir embora.
Ele...
O que ele tinha feito?
Andreia olhou para aquela expressão dele e de repente achou muito cômico.
— Osvaldo, dá para não fingir? — Ela disse: — Eu não acredito que você não sabia.
Ela virou de costas, entrou no quarto, foi até o criado-mudo, pegou um acordo com naturalidade, virou a cabeça e entregou para ele.
— Já que você voltou, então assine. — Ela disse: — Assinar é bom para mim e para você.
Osvaldo abaixou a cabeça para olhar o acordo.
Preto no branco, igualzinho àquele na mesa de centro.
— Você está com tanta pressa de me deixar? — A voz dele estava meio seca.
— Pense o que quiser.
De qualquer forma, ela ia se divorciar com certeza.
Osvaldo segurou o acordo, apertou os dedos, e o papel fez um barulho baixo. Ele levantou a cabeça e olhou para ela.
— Andreia. — Ele deu um passo para frente. — Vamos conversar direito de novo.
Ele sentiu um medo sem motivo no coração, como se fosse perder a coisa mais importante.
Ele queria fazê-la ficar, mas não sabia como falar.
— O que tem para conversar!
Uma voz aguda veio da porta.

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