Não tinha nenhuma postura de dona da casa, era mesquinha, calculista, não tolerava nem uma garota.
Andreia olhou para ele e de repente achou que não precisava falar mais nada.
— Certo. — Ela disse: — Eu com certeza vou pedir desculpas direito para ela.
Osvaldo paralisou por um instante, não esperava que ela aceitasse tão fácil. O rosto dele suavizou um pouco, e quando ia dizer algo...
O celular tocou.
Ele pegou para olhar, era Camille.
— Osvaldo... — A voz de Camille veio do outro lado da linha, com voz de choro, fraca e em pânico: — Eu sofri um acidente de carro, a minha perna parece que não mexe. Você pode... pode vir me salvar.
O rosto de Osvaldo mudou na hora.
— Fique aí e não se mexa! — Ele apertou o celular: — Eu estou indo agora.
Ele desligou o telefone, pegou o casaco no sofá e olhou para Andreia.
— A Camille sofreu um acidente, eu tenho que ir atrás dela. — Ele fez uma pausa, com o tom de quem dá ordem para uma criança desobediente: — Você... dê um tempo.
Depois de falar, ele correu para fora sem olhar para trás.
O som da porta batendo ecoou na sala.
Andreia ficou parada no lugar, olhando para aquela porta fechada, e não se mexeu por muito tempo.
**
No hospital, Camille já tinha terminado os exames e estava deitada na cama.
A perna dela não tinha nada grave, só arranhões e uma torção leve. O médico passou remédio e enfaixou.
O rosto dela também tinha alguns arranhões rasos, e o cabelo estava solto, parecendo digna de pena.
Osvaldo abriu a porta e entrou, e Camille o viu de cara.
— Osvaldo! — Ela o viu, os olhos brilharam na hora, e logo perderam o brilho. Os lábios se apertaram de leve, como se estivesse aguentando alguma coisa.
Osvaldo foi até a cama e olhou para a gaze enrolada na perna dela.
— Dirige sem olhar para a rua, agora sofreu, né. — A voz dele tinha repreensão, mas o tom era muito mimado, como se estivesse repreendendo uma namoradinha desobediente, sem nenhuma intenção de culpar.
Camille abaixou a cabeça e falou com voz magoada: “Eu só estava pensando no seu problema com a Andreia… me distraí sem querer, não me repreenda.”
Ela levantou a cabeça, com os olhos vermelhos, e a voz muito suave.
— Eu só estava preocupada com vocês. Quando você saiu, a Andreia ficou brava? Ela entendeu errado de novo? — Ela mordeu o lábio: — A culpa é toda minha, eu não devia ter te ligado. Mas na hora eu fiquei com muito medo, a perna não mexia, e a primeira pessoa que eu pensei foi você...

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