Osvaldo saiu da ala de internação e ligou para Andreia.
— Camille sofreu um acidente de carro por nossa causa, então prepare uma comida leve e traga para cá, e aproveite para escolher um presente para ela.
O tom dele era de quem tinha razão, como se estivesse ordenando a coisa mais normal do mundo.
Andreia desligou o telefone sem pensar.
Pedir desculpas? Nem pensar.
A tela do celular apagou, ela o colocou na mesa de cabeceira, virou-se e fechou os olhos.
Osvaldo ficou surpreso ao ter a ligação desligada.
Ele encarou a tela por alguns segundos, achando que ela devia estar irritada, mas que ainda assim prepararia as coisas.
Ela não era má de verdade, não era assim antigamente. Sempre reclamava, mas no final acabava fazendo o que ele pedia.
Ele pensou um pouco, achou que não havia com o que se preocupar e guardou o celular no bolso.
Não podia deixar Camille passar fome agora, então ele saiu de carro para comprar sopa.
Do outro lado, Andreia desligou o aparelho após encerrar a chamada, puxou a coberta e dormiu tranquilamente.
Sem bombardeio de mensagens, sem assédio de ligações, ela teve um sono pesado.
Ela só acordou naturalmente às seis e meia da manhã.
Um pouco de luz entrava pela fresta da cortina, o dia estava amanhecendo.
Ela deitada na cama, olhando para o teto, não pôde deixar de comentar: — É até mais confortável dormir sem o Osvaldo aqui.
Depois de falar, ela mesma se surpreendeu.
Desde quando a presença dele havia se tornado um fardo?
Ela levantou para se lavar, arrumou-se e só então ligou o celular.
Inúmeras mensagens chegaram, o celular vibrou por um bom tempo e quase travou.
A maioria era de Osvaldo.
Onde você está?
Mandei você trazer comida, o que aconteceu? Quer me matar de fome?
Andreia, se você continuar com isso, vai passar dos limites!
Faça a comida rápido e traga para cá, e traga também o presente que mandei você preparar.
Ela olhou para aquelas mensagens absurdas, rolando uma por uma, e achou cada vez mais ridículo.

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