Andreia olhou para ele e não disse nada.
Ela achava que não amava mais, mas ao vê-lo defender tanto a Camille, seu coração não pôde deixar de doer.
Não era tristeza. Era a consciência de que ela tinha sido tola por tanto tempo.
Ela disse a si mesma que essa seria a última vez.
A última vez que sentiria qualquer emoção por esse homem e por esse casamento.
— Estou falando com você! — Osvaldo franziu a testa impaciente: — O que você preparou como presente de desculpas?
Andreia continuou sem se mover.
Osvaldo esperou alguns segundos e a raiva subiu.
— Andreia, não me diga que você não preparou! — A voz dele aumentou: — Eu te disse ontem para escolher um presente para pedir desculpas à Camille, você ignorou o que eu disse, não foi?
Camille disse baixinho ao lado: — Osvaldo, não precisa, não precisa mesmo... Contanto que vocês não briguem por minha causa, eu não me importo com o que aconteça comigo...
— Não fale nada. — Osvaldo segurou os ombros dela, ainda encarando Andreia: — Você tem que pedir desculpas hoje.
Andreia ficou ali, olhando para eles.
A mão de Osvaldo estava no ombro de Camille, e Camille olhava para cima para ele, com as lágrimas ainda não secas.
A postura dos dois era tão íntima quanto a de um casal.
E ela, em pé no pé da cama, parecia uma estranha.
Ela de repente sorriu.
O sorriso foi muito leve, muito fraco.
— Presente de desculpas? — Ela repetiu e olhou para si mesma.
Então ela estendeu a mão e tocou o colar em seu pescoço.
Aquele colar tinha uma corrente muito fina e o pingente era um jade antigo, que claramente era uma peça antiga.
No primeiro dia em que ela se casou com a Família Madeira, Geovana Madeira o colocou nela com as próprias mãos, dizendo que era a Relíquia da Família, passada apenas para a senhora da Família Madeira.
Embora Geovana não gostasse dela, ao entrar na família, ela recebeu a dignidade que deveria ter.
Na época ela achou que aquilo era uma aprovação, então ela o usou por três anos.

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