— Isso mesmo, Andreia. Eu quero comer uma refeição farta hoje. Se você for embora, quando vamos poder comer?
— Eu estou esperando por essa refeição!
Andreia olhou para eles com uma expressão de desculpas e deu um leve sorriso: — Desculpe, desculpe, foi falta de consideração minha, eu...
Ela quase foi embora assim.
Ricardo ainda perguntou: — Você não tem nada para fazer em casa?
O departamento deles era um pouco peculiar. Todo o departamento, exceto ele, era solteiro. Os homens e as mulheres não tinham nada para fazer em casa, e ele não sabia se Andreia era solteira ou casada.
Caso ela fosse casada, teríamos que remarcar o jantar.
Não podiam atrapalhar a vida dela.
Andreia balançou a cabeça com muita franqueza: — Eu moro sozinha, não tenho nada para fazer em casa. Então que seja hoje, eu pago!
Ela ainda tinha a compensação dada por Osvaldo. Mesmo que não pudesse usar aquele dinheiro, ainda tinha o dinheiro que Clarice lhe emprestou.
Pagar uma refeição não seria problema.
Ricardo recusou severamente: — Eu disse que eu pago, então eu pago. Colegas novos não devem quebrar as regras!
Andreia então não disse mais nada.
No térreo do Grupo Valente.
Andreia e seus colegas saíram do elevador juntos, conversando e rindo.
Ricardo andava na frente, murmurando sobre qual restaurante iriam esta noite, dizendo que o da última vez não era bom e que desta vez trocariam.
Alguns designers jovens faziam algazarra atrás, dizendo que o chefe finalmente estava disposto a gastar.
— Andreia, o que você gosta de comer? — Uma garota de rabo de cavalo se aproximou: — O chefe vai pagar, não faça cerimônia com ele.
— Isso mesmo. — Outro garoto completou: — Na última vez que eu cheguei, o chefe pagou um rodízio. Ele foi tão pãoduro que nem pediu muitas carnes.
— Mentira! — Ricardo olhou para trás e o encarou: — Naquela vez foi você quem disse que estava de dieta!
O grupo todo caiu na gargalhada.
Andreia caminhava no meio deles e também ria.
Fazia muito tempo que ela não ria daquela maneira. Não precisava se preocupar com a reação dos outros nem tentar adivinhar o que as pessoas estavam pensando; era só rir, de forma leve e espontânea.
Ao sair pela porta principal, ela ainda tinha um sorriso nos lábios, assentindo e concordando com as palavras dos colegas, sem notar que havia uma pessoa parada no pé da escada.
— Andreia.

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