Ricardo Santos olhou para Osvaldo Madeira, não disse nada e seguiu Andreia Martins.
Alguns colegas também a seguiram, cercando Andreia no meio, formando uma barreira ao redor dela.
Osvaldo ficou onde estava, observando-os se afastarem.
Andreia andava no meio do grupo, conversando com a pessoa ao lado, sem olhar para trás.
Ele cerrou os punhos, as unhas quase cravando na pele.
Ele queria ir atrás dela, queria puxá-la de volta, queria questionar por que ela o tratava assim, mas seus pés pareciam colados ao chão, e ele não conseguia dar um único passo.
Caminhando, Andreia pediu desculpas, cheia de culpa: — Sinto muito, aquele é meu ex-marido, estamos em fase de divórcio... Causei uma má impressão a vocês, eu...
— O que isso tem a ver com você? — um colega a interrompeu, com um tom casual. — Embora não nos conheçamos há muito tempo, você é incrível, provavelmente a culpa é toda dele.
Outra garota concordou: — É verdade, achei que aquele cara não parecia ser boa pessoa.
Ricardo, por sua vez, não disse nada.
Afinal, ele havia falado com o Sr. Valente ao telefone ontem e já sabia, só não esperava que fossem encontrá-lo tão cedo.
— Não pense muito nisso, não vamos nos intrometer nos seus assuntos. — Ele deu um tapinha no ombro de Andreia. — Mas se precisar de algo, pode falar com a gente, nosso departamento é bem unido.
Ele só xingava muito em momentos específicos, quando estava extremamente irritado. Fora essas ocasiões, era uma pessoa bem tranquila.
Andreia ficou muito grata.
Ela não esperava que, com colegas que conhecia há apenas dois dias, pudesse se dar tão bem.
— Obrigada, obrigada a vocês, eu...
— Não agradeça. — Ricardo a interrompeu, acenando com a mão. — Hoje vou levar vocês para comer num rodízio de frutos do mar, eu pago.
Em um instante, as cerca de dez pessoas pularam de empolgação: — Eba!
Nenhuma dificuldade resiste a uma boa refeição. Se o problema for muito grande, basta uma segunda refeição para acalmar tudo.
Durante a refeição, Andreia sentou-se ali, muito emocionada.
Não imaginava que um dia não só voltaria ao mercado de trabalho, mas também sentaria para comer com os colegas.
Ela olhou para as pessoas ao redor, algumas riam alto, outras disputavam o último camarão do prato, outras seguravam o celular gravando vídeos.
Esses sons se misturavam, barulhentos, animados, fazendo-a se sentir segura.

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