O canto da boca de Andreia se moveu levemente, mas ela não respondeu.
Vendo que ela não falava, a raiva de Dona Geovana aumentou.
— Estou falando com você, ficou surda? — Sua voz subiu de tom. — Uma mulher casada, em vez de ficar em casa cuidando do marido e dos filhos, sai para trabalhar. Você ainda tem respeito por esta família? Ainda tem respeito pelo Osvaldo?
Camille puxou levemente a manga de Dona Geovana e disse em voz baixa: — Dona Geovana, não fique brava, a Andreia pode ter seus motivos...
— Que motivos? — Dona Geovana soltou a mão dela, a voz ainda mais estridente. — Ela é uma ingrata. O Osvaldo não é bom o suficiente para ela? Dá tudo o que ela pede, o que mais ela quer?
Ela virou a cabeça e encarou Andreia, com os olhos cheios de nojo.
— Escute bem, Andreia. Amanhã mesmo você pede demissão desse emprego. A família Madeira não vai passar por esse vexame! — disse Dona Geovana com muita firmeza. — Se estiver precisando de dinheiro, me peça. Eu não cheguei ao ponto de deixar minha nora sair para trabalhar.
Andreia ficou ali, ouvindo aquelas palavras, sem expressão no rosto.
Ela ouvia esse tipo de fala há três anos. Antigamente se sentia injustiçada, ficava triste e chorava escondida quando não havia ninguém por perto. Agora, não sentia quase nada, estava completamente desligada da situação.
— Já terminou? — Sua voz era muito baixa, tão baixa como se temesse assustar algo.
Dona Geovana ficou atônita.
— Se já terminou... — Andreia levantou a cabeça, olhando para Dona Geovana, o olhar calmo como um poço de água parada. — Eu vou embora.
Ela se virou e caminhou em direção à porta.
— Pare aí mesmo! — Dona Geovana levantou-se bruscamente, a voz aguda e estridente. — Andreia, que atitude é essa? Você ainda me respeita como sua sogra?
Andreia parou, mas não olhou para trás.
— Mãe. — Sua voz estava muito calma. — Eu a chamo de mãe porque me casei com alguém da Família Madeira, mas quando a senhora realmente me tratou como nora?
A sala ficou em silêncio por um instante.
Dona Geovana abriu a boca, o rosto ficando com uma expressão péssima.
— Fui a Sra. Madeira por três anos. — A voz de Andreia era pausada, como se falasse de algo que não lhe dizia respeito. — Em três anos, não gastei um centavo do Osvaldo. Os quinhentos mil de mesada que a senhora me dava, eu devolvia intactos todos os meses. A senhora não sabia?

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