Ela suavizou um pouco o temperamento.
Camille levantou a cabeça soluçando, olhando para Osvaldo com os olhos marejados.
— Osvaldo... — Sua voz dela saía extremamente doce e delicada. — Desculpe, a culpa é toda minha. Eu não deveria ter vindo, não deveria ter deixado a Dona Geovana saber, eu só queria...
Osvaldo permaneceu ali olhando para ela, com uma mistura de culpa e decepção estampada no rosto.
— Por que você teve que falar dela para a mamãe? — Sua voz estava muito baixa, como se estivesse reprimindo algo.
Camille ficou atônita, as lágrimas ainda no rosto, a boca ligeiramente aberta.
— Osvaldo, você... você está me culpando? — Sua voz ficou ainda menor, carregada de uma tristeza de quem foi injustiçada. — Eu realmente não disse nada de propósito. A Dona Geovana perguntou como você estava ultimamente, e eu disse que você não estava de bom humor porque a Andreia tinha se mudado. Eu... eu só estava preocupada com você...
— E por isso contou que ela estava trabalhando no Grupo Valente? — A voz de Osvaldo subiu um pouco.
As lágrimas de Camille brotaram novamente.
Ela abaixou a cabeça, os ombros tremendo ainda mais, a voz entrecortada: — Eu realmente não fiz de propósito... A Dona Geovana ficou perguntando, e eu, eu falei. Osvaldo, se você me culpa, eu vou embora...
Dizendo isso, ela realmente se levantou, indo em direção à porta.
Dona Geovana a puxou e a empurrou de volta para o sofá.
— O que você está fazendo? — Dona Geovana olhou feio para Osvaldo, com os olhos cheios de insatisfação. — A Camille veio me ver de boa vontade, por que você está brigando com ela? O que ela fez de errado? A Andreia não tem vergonha de sair para trabalhar, e ninguém pode falar?!
Osvaldo cerrou os punhos, sentindo um aperto no peito.
— Mãe, você pode parar de...
— Parar de quê? — Dona Geovana o interrompeu, a voz mais estridente. — Parar de me meter na sua vida? Eu sou sua mãe, se eu não me importar com você, quem vai? Olha para a mulher com quem você casou, que papelão, ela é digna de você?
Osvaldo abriu a boca, queria dizer algo, mas foi calado pelo olhar de Dona Geovana.
— Eu já tinha dito, não deveria ter deixado você casar com ela. — O tom de Dona Geovana suavizou, mas as facas em suas palavras eram mais afiadas. — Olha para a Camille, gentil e compreensiva, atenciosa, no que ela não é melhor do que a outra?
Camille puxou levemente a manga de Dona Geovana e disse em voz baixa: — Dona Geovana, não diga isso...
— Eu falei alguma mentira? — Dona Geovana deu um tapinha nas costas da mão dela, o tom cheio de pena. — Você sofre injustiças e ainda o defende, o que eu vou dizer de você?

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