Osvaldo franziu a testa, parecendo considerar a viabilidade do assunto.
— Não. — Ele balançou a cabeça. — A Andreia não vai me perdoar se eu fizer isso.
— A Andreia pode ficar com raiva. — A voz de Camille ficou ainda mais suave, com uma paciência persuasiva: — Mas ela está fora do mercado de trabalho há tantos anos. Ela só pode depender de você. Se... a Andreia se acostumar com o ambiente de trabalho, temo que ela não precise mais de você...
— Impossível! — Osvaldo negou imediatamente, com a voz um pouco mais alta.
Ele não podia, de jeito nenhum, deixar aquilo acontecer. Andreia era sua esposa e devia se submeter a ele.
Ele cerrou os punhos, com os nós dos dedos brancos, como se estivesse tentando convencer a si mesmo.
Camille abaixou os olhos, com uma sinceridade magoada na voz:
— Osvaldo, eu só quero o melhor para você e a Andreia. Eu espero que o relacionamento de vocês volte a ser como antes. Mesmo que eu tenha que carregar a culpa, não me importo...
A raiva de Osvaldo suavizou instantaneamente.
Ele olhou para Camille com uma expressão complexa. Havia culpa, gratidão e algo indescritível em seus olhos.
— Fui eu quem te entendeu mal. — A voz dele abaixou: — Não leve a mal. Eu... Eu vou te levar para comprar uma bolsa amanhã, como um pedido de desculpas, está bem?
Camille levantou a cabeça, com um sorriso obediente no rosto e os olhos curvos.
— Tudo bem. Obrigada, Osvaldo!
**
No dia seguinte.
Quando Andreia chegou à empresa, já havia pessoas trabalhando no escritório. O lançamento seria no dia seguinte, e todo o departamento de design estava tenso.
Ricardo Santos estava sentado em sua mesa, franzindo a testa para o computador, com os dedos batendo ruidosamente no teclado.
Assim que Andreia se sentou e ligou o computador, viu Ricardo se levantar e caminhar em direção ao escritório de Lucca Valente.
Depois de um tempo, ele voltou, com uma expressão um pouco estranha.
— Andreia. — Ele caminhou até a mesa dela e baixou a voz: — O Sr. Valente vai ao shopping inspecionar a chegada dos novos produtos. Você vai com ele.
— Eu? — Andreia levantou a cabeça: — Já não inspecionamos isso?
— Sim, já inspecionamos. — Ricardo deu de ombros. — Mas o Sr. Valente teve a ideia de ir pessoalmente hoje. No entanto, ele faz inspeções no shopping todos os meses, então isso é normal. Você pode ir com ele.
Andreia assentiu, arrumou as suas coisas e desceu as escadas com Ricardo.
O carro de Lucca já estava estacionado na porta.
Ele estava sentado no banco de trás, segurando um documento e lendo-o.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Pensou Que Eu Só Ia Chorar