Depois de dizer isso, ela se virou e foi embora.
— Andreia! — Osvaldo gritou atrás dela, com uma histeria quase à beira de um colapso na voz: — Pare aí mesmo!
Andreia não parou.
Seus passos não eram rápidos nem lentos, e suas costas estavam bem retas.
Osvaldo ficou onde estava, observando-a se afastar cada vez mais.
Ele quis correr atrás dela para trazêla de volta e questionar com que direito ela o tratava assim. Mas os seus pés pareciam grudados no chão, ele não conseguia se mexer.
Camille estava ao seu lado, observando a expressão dele com cuidado, e estendeu a mão para puxar a manga dele.
— Osvaldo...
— Não me toque. — A voz de Osvaldo soou muito baixa, tão baixa que dava medo.
A mão de Camille congelou no ar, e uma expressão de mágoa surgiu em seu rosto, mas desta vez ela não ousou dizer mais nada.
Osvaldo observou as costas de Andreia desaparecerem na esquina da rua, e de repente sentiu um aperto no peito.
Não era raiva, era medo.
Era aquele medo de saber claramente que algo estava se perdendo, mas não conseguir segurar.
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Andreia pegou o celular e deu uma olhada no vídeo que acabara de gravar.
Na imagem, Camille segurava o braço de Osvaldo, a cabeça apoiada no ombro dele. Osvaldo estava parado ali; não se esquivou, não a empurrou, e até virou o corpo levemente para que Camille pudesse se apoiar com mais conforto.
Ela apertou o botão de pausa e, com movimentos rápidos, enviou o vídeo para o Dr. Diniz.
Em seguida, respirou fundo e chamou um táxi.
— Para o Edifício Valente.
Andreia encostou-se no banco, de olhos fechados.
O celular vibrou no bolso. Ela o pegou para olhar; era uma mensagem de Clarice.
"A questão dos cartões bancários foi resolvida?"

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