O rosto do gerente mudava de cor, e uma fina camada de suor surgiu em sua testa. Ele ficou ali parado, sem saber onde colocar as mãos, com o olhar vagando entre Lucca e Andreia.
As palavras de Andreia foram como uma faca, colocando-o contra a parede.
— Isso... — O gerente abriu a boca, com a voz seca: — Srta. Martins, nós realmente temos a obrigação de proteger as informações do denunciante. Essa é a nossa regra...
— Regra? — A voz de Andreia era muito suave, mas cada palavra carregava peso: — As regras de vocês protegem a privacidade do denunciante, e a minha privacidade? Meus cartões bancários foram bloqueados, quem contou isso a vocês?
O gerente não conseguiu dizer nada.
— Vocês trouxeram pessoas para me questionar sem verificar os fatos. — O olhar de Andreia o encarava com calma. — Isso é apropriado?
O salão ficou tão silencioso que dava para ouvir o barulho de um alfinete caindo no chão.
Todos os olhares se concentraram ali. Alguns seguravam taças de vinho e esqueceram de abaixá-las, outros levantavam os celulares para gravar.
O pomo de Adão do gerente subia e descia sem parar.
Ele hesitou por um momento, finalmente cerrou os dentes e virou a cabeça para olhar para o funcionário atrás dele, que acabara de lhe relatar a situação.
— Quem falou isso para você? — A voz dele soou baixa, mas a raiva no tom era impossível de esconder.
O funcionário ficou pálido, deu meio passo para trás e, trêmulo, levantou a mão, apontando em direção à fileira de trás.
— Foi... foi aquela senhora. — A voz dele era muito baixa, mas no salão silencioso, todos puderam ouvir.
Ele continuou: — Ela disse que era amiga da Srta. Martins, disse que os cartões bancários da Srta. Martins estavam bloqueados e que ela não tinha qualificação para participar do leilão. Eu... eu não sabia que ela era a acompanhante do Sr. Valente...
Todos os olhares seguiram a direção do dedo dele.
Camille estava sentada na fileira de trás, e seu rosto ficou pálido em um instante. Ela
instintivamente se encolheu atrás de Osvaldo, com os lábios tremendo, e seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas.
Osvaldo também paralisou.
Ele virou a cabeça e olhou para Camille, com os olhos cheios de incredulidade.
— Foi você? — A voz dele saiu baixa.
Camille balançou a cabeça desesperadamente, e as lágrimas caíram: — Não... eu não fiz isso, eu só...
Andreia olhou para Camille e ergueu levemente os cantos da boca. Aquele sorriso era frio, frio até os ossos.

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