Ao ver que Xenia não servia de nada e que não havia como escapar, Hortência finalmente se viu obrigada a se explicar para as pessoas.
Não importava como, ela não podia permitir que trouxessem de volta o passado dela com Tadeu e afetassem as empresas da família Pires.
Mas a situação já tinha chegado a um ponto que Dália com certeza não deixaria que ela saísse por cima.
Dália interveio:
— O acordo que fizemos foi com a antiga Sra. Pires.
Agora que o Sr. Tadeu se divorciou da Glaucia por sua causa, e que a sua filha insulta a minha sem a menor noção, por que eu deveria fazer um acordo com você?
Recentemente, corriam muitos boatos sobre o Grupo Pires.
Muita gente usava as fofocas da família como assunto para passar o tempo.
Assim que Dália mencionou isso, os radares de muitos presentes apitaram instantaneamente.
Os olhares que recaíram sobre o rosto de Hortência ficaram ainda mais pesados e cheios de julgamento.
— Eu sabia que o rosto dela não me era estranho. Olha só, é aquela "criatura alienígena" dos boatos.
— Se for ela mesma, não me surpreende que faça uma coisa dessas. Afinal, os valores da civilização alienígena são bem diferentes dos nossos terráqueos.
— E as postagens oficiais do Grupo Pires foram hilárias. Estavam o tempo todo fazendo propaganda do quanto o Sr. Tadeu e essa mulher se amavam. Pelo visto, é o lixo com o lixo. A tampa certa para a panela torta.
— Esses dois deviam ficar presos um ao outro para sempre, para não estragarem a vida de mais ninguém. Um pior que o outro, a Terra já não tem espaço para gente assim.
— Oficial, eu acho que não tem mais o que tentar conciliar aqui. Essa gente não tem limites, leve-os logo para a delegacia e dê uma lição neles.
Caio havia recebido aquele chamado para mediar um conflito e já estava com dor de cabeça só de pensar.
Mas ao ver Dália falando de forma tão articulada e Hortência sem ter como se defender, os fatos ficaram claros rapidamente, e ele se sentiu um pouco aliviado.
Sem hesitar, ordenou que os oficiais levassem todos para a delegacia para registrar o boletim de ocorrência.
Ao ouvir a palavra "delegacia", Xenia entrou em pânico:
— Oficial, eu não preciso ir, né? Eu sou só a babá, não tenho nada a ver com as coisas que elas falaram, eu...
— Como você tem coragem de dizer isso? Se você tivesse olhado as crianças direito, nada disso teria acontecido! Quem mais deveria ser presa e levar uma lição é você! — Hortência, vendo que não poderia escapar, já estava disparando para todos os lados. Cortou rudemente a tentativa de Xenia de fugir da responsabilidade.
Xenia não deixou barato:
Caio agora voltava seu olhar perscrutador para Hortência, comentando cheio de segundas intenções:
— Quem diria que a sua família Pires tem tanto poder assim. A "Senhora" pode ser arrogante lá fora sem medo de nada.
Então quer dizer que as leis do país não se aplicam à família Pires?
— Claro que não, oficial, o senhor entendeu mal. Eu nunca disse uma coisa dessas, foi tudo invenção dela para me prejudicar! — apressou-se Hortência em negar, mas isso só enfureceu Xenia ainda mais.
Com medo de que a polícia colocasse a culpa nela, Xenia disparou:
— Que besteira é essa que você está falando?
Foi você mesma que me disse aquelas palavras! Que vantagem eu teria em prejudicar você?
Hortência rebateu:
— Deixe de ser mentirosa! Você só está com inveja porque eu arrumei um casamento melhor que o seu, não é?
Você só pode casar com um zé-ninguém da roça, e eu vou me casar com uma família milionária. Você está com inveja e quer arruinar o meu casamento. Oficial, a culpa é toda dela, ela quer me prejudicar, é só levar ela presa!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha