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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 38

A presença dela na família Pires era discreta. Raramente aparecia diante de Glaucia, exceto nas visitas obrigatórias ao Solar da família em datas festivas. Glaucia quase nunca a via em situações privadas.

A visita repentina de Vitória era um mistério.

Ao abrir a porta do escritório, Glaucia encontrou a sogra sentada no sofá. Diante dela, sobre a mesa de centro, havia uma pilha de papéis que pareciam fotos.

Glaucia a cumprimentou: — Mãe?

Vitória acenou imediatamente: — Glaucia, venha cá. Explique para a mãe, o que significa isso? Você e o Tadeu estão brigados?

Enquanto falava, empurrou as fotos na direção dela.

Eram imagens de Tadeu com Hortência e a filha. Tadeu brincava com Eulália; o local parecia ser o maior parque de diversões de São Paulo. Não era preciso pensar muito para saber que as fotos eram de ontem.

— Quem é essa mulher? Por que o Tadeu está tão íntimo delas? E essa menina... — Vitória parecia hesitar, sem saber como formular a pergunta.

A maior impressão que Glaucia tinha da sogra era a de uma mulher sem opinião própria, que vivia como uma planta trepadeira, sempre apoiada no marido, Napoleão. Até sua voz era fraca.

Mesmo agora, vindo questionar sobre uma possível crise no casamento ou traição, ela não conseguia ser incisiva.

Glaucia respondeu calmamente:

— Mãe, essa é a Hortência, a babá que o Tadeu levou recentemente para o Residencial Harmonia. Ela cuidou do Tadeu quando ele era criança. A menina é filha dela. Como a Hortência perdeu o marido há pouco tempo, o Tadeu tem dado um apoio extra a elas.

— Ah, então é isso... Que susto, achei que fosse algo pior. Que bom que vocês estão bem. — Vitória levou a mão ao peito, aliviada.

Como tudo ainda estava indefinido, Glaucia preferiu não expor a verdadeira natureza da relação entre Tadeu e Hortência para Vitória naquele momento.

— Mãe, a senhora veio só por causa disso? — Glaucia serviu uma xícara de chá para a sogra.

Vitória tomou um gole e disse:

— Vocês não aparecem em casa há muito tempo. É vontade do seu pai. Ele mandou chamar você e o Tadeu para irem lá amanhã. Glaucia, você sabe... o Tadeu não é muito próximo de nós. Eu...

— Você poderia falar com o Tadeu por mim?

— Mãe, não pode ser outro dia? A empresa está numa fase muito corrida e...

— Glaucia, por favor, me prometa. Faz tanto tempo. Eu também estou com saudades do Sérgio — implorou Vitória.

Vitória partiu radiante. A relação entre sogra e nora parecia harmoniosa.

No entanto, no dia seguinte, quando Glaucia levou Sérgio à mansão da família Pires, não havia vestígio algum daquela harmonia.

Como saiu do trabalho para buscar Sérgio no Residencial Bordo, ela não esperou por Tadeu.

Ao chegarem ao Solar dos Pires, a cena no pátio era chocante: Tadeu estava ajoelhado no chão, cercado pelas fotos que Vitória levara ao escritório no dia anterior.

Ao ver Glaucia, Tadeu ergueu os olhos. Uma emoção complexa cruzou seu olhar.

O pai dele, Napoleão Pires, mantinha o rosto gélido. Seu olhar pousou brevemente em Glaucia antes de ordenar a Vitória:

— Leve-os para dentro primeiro.

Vitória olhou para trás, preocupada com o filho:

— Vamos conversar com calma, deixe o Tadeu levantar, isso...

— Eu disse para levá-los para dentro! — bradou Napoleão. Vitória estremeceu e não ousou mais interceder por Tadeu.

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