A força de Tatiana era impressionante, fazendo Glaucia dar um passo em falso sob o puxão repentino.
Glaucia estendeu a mão, bloqueando o ataque com frieza e forçando uma distância segura entre as duas:
— Tia Tatiana, sugiro que a senhora se acalme um pouco primeiro. Vamos resolver isso com racionalidade.
— Racionalidade?! Como você quer que eu seja racional?! A minha Viviane está naquela sala de cirurgia! Ela não tem nada a ver com as suas sujeiras, ela já estava com a mão machucada, e agora sofre uma agressão dessas! O que você quer que eu diga?! — Tatiana berrava, cega de ódio.
Observando a tensão extrema das duas famílias, Glaucia deduziu a situação. Os dois que estavam lutando pela vida na sala de cirurgia eram Tadeu e Viviane. Pelo que Tatiana gritava, os dois haviam sofrido um acidente de carro juntos.
Embora Glaucia não soubesse todos os detalhes, seu intelecto afiado logo montou o quebra-cabeça. Se os dois estavam dividindo o mesmo carro naquela hora, com certeza não estavam tramando algo bom.
Mas com todos tão nervosos no corredor, ela achou prudente não expor suas deduções em voz alta naquele momento.
Em contraste com a histeria de Tatiana, a família Pires permanecia estranhamente quieta.
Afinal, eles mesmos não sabiam o que Tadeu estava fazendo com Viviane. Tatiana só estava descontando a fúria em Glaucia porque Tadeu era o ex-marido dela. Na lógica de Tatiana, Viviane foi envolvida como efeito colateral.
Ninguém ali tinha provas de que Tadeu e Viviane planejavam atacar Glaucia.
Glaucia não se rebaixou a discutir com Tatiana. Ela simplesmente virou o rosto para a enfermeira responsável e perguntou com a voz polida, mas firme:
— Qual é o quadro clínico? Como eles estão?
A enfermeira, intimidada, relatou:
— O estado da moça é um pouco mais estável, mas o rapaz sofreu lesões gravíssimas. Os tendões das pernas...
— O cirurgião-chefe nos alertou agora pouco de que há um alto risco de amputação.
Aquelas palavras soaram como um trovão no corredor silencioso, fazendo Vitória perder totalmente a cor no rosto.
— O que... O que você disse? O Tadeu pode ser amputado? — Ela engasgou.
A enfermeira já havia evitado dar detalhes antes por causa do desespero das famílias, mas, sendo encurralada pela pergunta, tentou suavizar o choque:
— Dona Vitória, por favor, tente se acalmar. Isso não é definitivo. Ainda precisamos dos resultados dos exames completos. Quem sabe um milagre... e o doutor consiga salvar...
A enfermeira era jovem e inexperiente. Diante do desespero da elite, suas palavras gaguejaram.
Vitória agarrou o peito, soluçando com uma voz seca e dilacerada:
— Como... como isso foi acontecer? O meu Tadeu estava perfeitamente bem há algumas horas! Amputado? Não!
— Os médicos deste hospital são uns incompetentes! Onde está o César? Sim, o César Reis! Ele é o maior especialista nessa área, não é? Chamem o César imediatamente para operar o meu filho!
Vitória, no entanto, recobrou a lucidez ao ouvir o comando do marido. Completamente tomada pelo instinto materno, ela discordou em pânico:
— Querido, o Tadeu acabou de ser retirado das ferragens! Se movermos ele do hospital agora, o corpo dele não vai aguentar...
— O que você entende disso?! — Napoleão a interrompeu com brutalidade, usando a autoridade patriarcal para esmagá-la. — O César é o melhor! Só ele pode salvar o Tadeu agora. Deixá-lo nas mãos desses açougueiros medíocres é uma sentença de morte. A transferência para a Cidade G é a melhor opção.
Para Vitória, a integridade do filho superava tudo. Napoleão, obviamente, não revelou seus motivos covardes e egoístas à esposa. Seu objetivo era apressar os trâmites, calar Vitória e tirá-los da Capital o quanto antes.
Confiando cegamente na liderança de Napoleão durante os anos de casamento, Vitória não teve forças para rebater novamente. Restou-lhe implorar à enfermeira que usassem os medicamentos mais fortes para estabilizar os ferimentos do filho.
Justo quando Napoleão acreditava que seu plano maquiavélico de fuga estava garantido...
— Sr. Pires, Dona Vitória. — A voz de Glaucia cortou o ar gélido do corredor, chamando a atenção de todos.
Sua expressão era indecifrável e seu tom, cortante como vidro.
— Vocês querem transferi-lo a esta exata hora para fugir da responsabilidade e sumir do mapa?
Ela os encarou sem piscar, assumindo o controle da situação:
— Não se esqueçam de que a Srta. Viviane se machucou gravemente dentro do carro do seu filho. Antes de pensarem em fugir, o mínimo que devem fazer é esperar ele acordar e dar uma explicação decente à família Marques.

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