Afonso abaixou a cabeça, beijando seus lábios com avidez.
— Eu que vou ver você entrar.
Mas Naiara foi categórica:
— Não, desta vez você vai fazer o que eu digo.
— Tudo bem.
O carro começou a se afastar, mas ele ainda conseguia vê-la parada no mesmo lugar pelo espelho retrovisor. Afonso só desviou o olhar quando a silhueta dela desapareceu por completo. Ele fechou os olhos, reprimindo a vontade quase incontrolável de dar meia-volta.
Na palma da mão, ele apertava o pedaço de papel que ela lhe dera. Havia apenas uma frase escrita:
*Unidos como marido e mulher, no amor não há espaço para a dúvida.*
Eram as palavras que ela havia lhe dedicado. Era também a sua promessa. Unidos como marido e mulher. Sem espaço para dúvidas. Ela não perguntava não por falta de amor, mas porque confiava plenamente.
***
No instante em que Isabella Âncora acordou, o terror tomou conta de cada célula de seu corpo. Sua primeira reação foi checar a si mesma. Ao puxar as cobertas, entrou em absoluto desespero.
Ela não era inocente e sabia perfeitamente de onde vinha a sensação úmida e pegajosa em sua pele. Além da dor aguda que sentia...
O corpo de Isabella tremia violentamente. Quando tentou pegar o celular, seus dedos mal obedeciam aos comandos. *Quem foi?! Quem ousou violá-la daquela forma?!*
O ódio crescia desenfreado dentro dela. Num surto de descontrole, sem saber como expurgar aquela agonia, ela apenas gritou. Berrou a plenos pulmões para colocar para fora toda a revolta presa no peito, até que sua voz ficasse completamente rouca. Sua alma, porém, já estava morta.
Isabella começou a rir e chorar ao mesmo tempo, num transe histérico. *Que crueldade! Afonso, você foi cruel demais...*
Por fim, ela conseguiu fazer a ligação.
— Irmão...
O controle de Fausto se desintegrou.
— Como você pode não saber?!
As lágrimas de Isabella não paravam de cair. Parecia haver um incêndio dentro de seu peito, queimando suas entranhas com uma dor insuportável.
— Eu juro que não sei! Eu só sei que fui... e quando eu acordei, ele já não estava mais aqui...
Incapaz de conter a fúria, Fausto deu um soco violento na parede. A pele dos nós dos seus dedos rachou, e o sangue começou a escorrer. O pulso esquerdo dele ainda carregava uma marca profunda de mordida que não havia cicatrizado; agora, somava-se mais uma ferida. Mesmo assim, ele não sentiu nenhuma dor física. A dor que lacerava sua alma era infinitamente maior.
— Irmão! — Isabella tentou descer da cama, mas suas pernas cederam, e ela despencou no chão.
Fausto não conseguiu segurá-la a tempo e teve que assistir, impotente, à irmã que ele tanto mimara chorar aos prantos, jogada no chão em estado de absoluta miséria. Ele puxou o ar com força, abaixou-se e a pegou nos braços.
— Seu irmão vai te levar para casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...