Ao ver todas aquelas pessoas reunidas em volta da mesa, esperando apenas a sua chegada, Gualter sentiu uma súbita vontade de chorar.
A coisa mais comovente deste mundo era, sem dúvida, sentir o calor do altruísmo num dia frio de inverno.
Família.
Que palavra bonita.
Ao passar de carro em frente a uma loja de brinquedos, Gualter estacionou.
Queria ver se o brinquedo que havia encomendado para o sobrinho já tinha chegado.
Ao lado da loja de brinquedos, havia uma cafeteria.
Mesmo na véspera de Ano Novo, continuava aberta, trabalhando arduamente.
Gualter lançou um olhar casual pela vitrine, mas seus olhos pararam subitamente.
Se ele não estivesse enganado, a pessoa sentada no canto era Bianca.
O brilho festivo e a agitação da rua não conseguiam esconder a aura de solidão e abandono que emanava dela.
Ele nem soube o que o levou a entrar.
Quando finalmente processou o que estava fazendo, já estava de pé ao lado da mesa dela.
— Sozinha?
O susto passou rápido pelos olhos de Bianca. O sorriso que ela esboçou logo em seguida era impossível de decifrar.
— Diretor Gualter. Que coincidência.
Gualter puxou a cadeira à frente e se sentou.
— Seu namorado não veio te fazer companhia?
— Ele foi visitar a família na terra natal dele.
— E você não foi junto?
— Eu não pretendo casar com ele, então não tinha por que ir conhecer os pais dele.
— Então por que não foi para a sua cidade?
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
— Meus pais se separaram quando eu era adolescente e cada um formou a sua própria família. E eu...
Ela soltou um riso amargo.
— Virei o resto. A sobra.
— Mas até que tive sorte. Eles não me queriam por perto, mas me davam dinheiro. Com essa ajuda, vivi razoavelmente bem morando com a minha avó.
— Pena que...
Bianca apoiou o queixo nas mãos e olhou pela janela.
Do lado de fora, a rua estava movimentada, cheia de gente indo e vindo. Parecia tão feliz.
Mas nenhuma daquelas alegrias pertencia a ela.
— Minha avó faleceu, e eu fiquei sem casa.
— Naquela época, eu aceitei ir morar fora do país com aquele cretino porque acreditei que ele me daria um lar de verdade.
Ela deu um sorriso melancólico.
— Patético, não é?
Gualter ignorou a autodepreciação dela. Ele olhou para a xícara de café já esfriado sobre a mesa.
— Vai jantar só isso?
Bianca se recompôs, afastando os pensamentos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...