Bernardo não teve pressa em responder, apenas pousou a mão firme no rosto de Cora.
Por um instante, ela sentiu que ele realmente estava com pena dela.
Mas quando as memórias de toda a crueldade passaram diante de seus olhos como um filme, ela lembrou a si mesma, repetidas vezes, para não se deixar enganar pela falsa afeição dele.
Enquanto Bernardo segurava seu rosto, o polegar levemente áspero dele acariciava o machucado com suavidade.
Os olhos profundos do homem estavam fixos nela.
Ela ainda sentia o coração acelerado, mas forçou uma expressão calma e não disse nada.
— Cora, vamos ceder um pouco. — Bernardo demorou muito até dizer cada palavra de forma pausada. — Diga as suas condições. O que eu preciso fazer para que você fique tranquilamente ao meu lado até que essa criança nasça? Para que possamos manter um equilíbrio.
Ele estava entregando o controle nas mãos de Cora, e sua atitude parecia até sincera.
Mas ouvir aquilo não a deixou mais relaxada; na verdade, a assustou ainda mais.
Gato escaldado tem medo de água fria.
Ela não conseguia ler as verdadeiras intenções por trás do olhar dele.
Recuperando o foco, ela afastou a mão de Bernardo de seu rosto.
Uma leve pontada de dor a lembrou de não cair na armadilha dele.
Respirando fundo, ela falou com calma:
— Eu só quero o divórcio.
— Tudo bem, assim que você der à luz, eu te dou a sua liberdade. — Para a surpresa dela, Bernardo concordou com uma rapidez incomum.
Ele fez uma pausa e logo continuou:
— Mas, até lá, não quero que cause mais nenhum problema.
O tom dele soava honesto, e Cora não conseguiu encontrar nenhum traço de mentira em seu olhar.
Ela acreditou.
Até porque sabia que, mesmo se não acreditasse, já não havia mais saída.
Bernardo não respondeu, apenas colocou uma das mãos no bolso e esperou em silêncio que ela terminasse.
— Bernardo, se você quer que eu tenha essa criança em segurança, então não pode ir atrás da Adelina, e eu devo poder te encontrar a qualquer momento. Eu não gosto dela e não quero ser provocada de novo. — Cora deixou suas exigências bem claras.
— ...
— Claro, depois do divórcio, o que você fizer não será mais da minha conta.
— ...
— E mais, o nosso casamento deve se tornar público, não quero ser alvo de fofocas. Afinal, teremos que conviver por quase mais meio ano. Sair por aí e ser apontada por jornalistas é algo que temo não conseguir suportar.
Cora não recuou nem um milímetro até dizer tudo o que tinha em mente.
Aquelas condições eram difíceis de engolir, e ela não acreditava que Bernardo seria capaz de cumpri-las.
Mas, para ela, era a primeira vez em sete anos de casamento que falava com ele de forma tão incisiva.
Nesse casamento despedaçado, ela não estava mais disposta a ceder.

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